Desventuras insólitas e sei lá...

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Chiqueiro

Esse lugar é um chiqueiro, as ruas e as calçadas de Anápolis são todas quebradas, cheia de buracos. Ontem um menino burro que estava conosco bebeu demais, deu trabalho e fez um cara ir com uma arma para cima dele. Um cangaceiro e um bebum. O cangaceiro era filho de delegado ou coisa assim (o que certamente tem alguma ligação com o intelecto desta pessoa e o fato dela carregar uma arma no carro). Já o bebum, ele tinha acabado de fazer prova da OAB, bebeu demais, além de quase levar um tiro, quando foi embora, pelo que ouvi dizer, atropela um motoqueiro. Presenciei muitas histórias do tipo. Psicólogos, advogados, amigos próximos, pessoas bem vestidas, pessoas de todo tipo envolvidas em confusões, viciadas, devendo dinheiro para agiota mala, juradas de morte, carregando armas no carro, usando drogas pesadas freqüentemente, quebrando garrafa na cabeça. Assassino querendo nos convencer na mesa de bar que Deus existe e que todo mundo tem um preço, completamente cego em sua falta de caráter. Na nossa mesa a maioria é órfão de pai alcoólatra e todos fumamos. E por algum tempo eu não percebi a realidade, aceitei tudo naturalmente, como se precisasse demonstrar força. Para falar a verdade quando não estou muito envolvido geralmente não sinto medo algum, às vezes até relaxo. Às vezes o animal nervoso aponta o dedo para a cara do outro e diz que o outro não é homem. Eu encosto-me à cadeira e a cerveja desce mais gostosa que de costume. É como se eu tivesse recebido a reposta da minha pergunta sobre o ser humano e sobre a minha insignificância. Contudo ainda não deixo de ter nojo, asco dessa pobreza de caráter que é vista em todo lugar, não só na violência explícita, mas também na fé religiosa, na ganância dos alegres displicentes, na futilidade dos belos, na preguiça dos pobres, na burrice de todos. Este lugar fede!

4 comentários:

leitora disse...

PÔRRA, tava tão bom, falar de cinema...

Thais Correia disse...

eu sou a porca que está deitada lá atrás, vigiando o milharal.

Luiz Felipe Leal disse...

não sei exatamente se essa lucidez sua justifica ser sincero demais, ou correto demais. mas eu concordo com mtas coisas. devo ser um pobre preguiçoso ou um alegre ganancioso, mas cm vc é os olhos, e percebo que há sempre um rótulo depreciativo (dos quais vc se isenta) acabo por não me importar mais. basicamente isso: vc constrói sabiamente um pensamento e nos convence, mas vc mesmo o desconstrói (não sei se intensionalmente), e chegamos ao fim de um post com a certeza de que saímos dele como entramos.

não se vc se importa, eu tbm não, mas estou com tempo para comentar aqui.

até mais,

Luiz Felipe Leal disse...

não sei* se vc se importa