Desventuras insólitas e sei lá...

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Cinema

Eu não deveria falar tanto de cinema. Mas é que eu tenho passado meus dias, na internet, vendo filmes, ouvindo música, lendo livro e às vezes saindo pra beber. E não tenho muita segurança pra falar de livros e música, então falo sobre filmes.

Assisti mais alguns filmes estes últimos dias. Rec é fraco, é um filme de ação, terror, suspense que finge ter sido feito com uma câmera que um dos personagens carrega. Tipo a Bruxa de Blair ou Cloverfield - O Monstro. O único desses filmes que é bom é o Bruxa de Blair, que é bom por acidente. Me parece que a falta de recursos impediu os diretores cometessem alguns erros e exageros que esses outros dois filmes praticam.

The Curious Case of Benjamin Button é sobre um cara que nasce velho e cada dia que passa fica mais novo. É um filme bom pela idéia principal e pelos efeitos especiais, maquiagens, tem um estilo e tal. Consegue-se fazer esta história fantástica com um realismo, e o filme diverte. Mas o enredo é fraco, as dificuldades que o personagem passa por ficar cada dia mais novo não são suficientes para uma boa trama dramática. É melhor que Homem Bicentenário, mas é pior que o divertidíssimo Forest Gump.

Mutum eu adorei, isso porque eu vi aquele filme e senti a fazenda, o mato, o barulho e o sofrimento e a alegria das pessoas. Quem conhece o interior precisa ver o filme. Parece que é a primeira vez que esse universo é colocado nas telas de cinema, Os Filhos de Francisco, por exemplo, é muito artificial e não chega aos pés de Mutum. Gomorra é um filme italiano sobre a máfia Camorra, é bom. Vi o filme do The Doors, gostei. O filme escolhe por mostrar só a parte singular do The Doors, o que o Jim Morson, mais precisamente, tem de único e de diferente. Por não mostrar o lado pessoa normal do Jim Morson que o filme ficou tão bom, e por isso também, ele é um filme corajoso. Vi Tequila Sunrise, uma besteirinha antiga, legal.

The Sheltering Sky é muito bom. Logo no início do filme um dos personagens principais explica a diferença entre viajante e turista: "Turistas são os que pensam voltar para casa assim que chegam. Enquanto um viajante pode nunca chegar a voltar." Essa fala parece dizer muito sobre o filme, o filme é sobre um casal viajantes americanos na África. A possibilidade de turismo ganhou muita força no século XX, antes disso o turismo de grandes distancias era muito raro, e o filme é também um épico que se passa logo depois da Segunda Guerra. Tá, tá, eles não são turistas, como a fala explica, mas eles ainda não estão viajando fugindo de fome, pestes ou guerras, eles estão viajando para conhecer outros lugares e com muito dinheiro de sobra por sinal. E assim como Mutum mostra o som da fazenda e outros detalhes, esse mostra a areia, o vento, os sons da África, suas belas paisagens. O drama também é interessante. Como seria um casal de artistas tendo problemas conjugais na África? O filme trabalha um pouco com isso. Vi também outro filme do mesmo diretor (Bernardo Bertolucci), o Stealing Beauty, filme bonito, sensível que trabalha com muito bom gosto a história de uma menina maconheira que viaja para uma fazenda na Europa cheia de artistas e naturistas que ficam tomando banho pelado. Risos, o filme é sensível e bonito sim, perdoe a minha brincadeira.

Assisti Romance X, é um filme europeu cheio de sexo. O que é legal! O sexo é uma das grandes fontes de problemas, aventuras, dor. E o sexo tem de ser mostrado de forma mais honesta, sem censura e receios. O cinema ainda tem muito pudor com o assunto. Contudo o filme não é muito bom, ele faz uma caricatura deste meu argumento e choca quem assiste. Mas o maior defeito não é este. O drama é fraco e a personagem principal declamando, narrando no filme, apesar de ser interessante em alguns momentos, é fraco e torna o filme falastrão.

Chorei ao reassistir a La Vita è Bella. O filme é uma comédia alegre e em muitos pontos é uma comédia simples (Benigni é quase um Didi), porém tem uma profundidade interessante. Fale o meu nome e eu deixarei de existir, quem sou eu? O silêncio! Imagine um grande e nobre homem sendo apagado e esquecido, essa é a grande dor dos campos de concentração. Engraçado que o Benigni no filme faz piada até do próprio otimismo, isso quando tenta usar o poder da mente para espantar os cachorros alemães que iam denunciar o esconderijo de seu filho. É um humor, é um Chapplin, é um fábula, e assim ele emociona e entristece a quem assiste.

Assisti dois Jean-Pierre Jeunet, La Cité Des Enfants Perdu (O Ladrão de Sonhos), muito bom e Le Fabuleux Destin D'Amelie Poulain (O Fabuloso Destino de Amélie Poulain), muito bom também. Vi Goodfellas é bom. Vamos ser um pouco mais rápido, o post está ficando muito longo. New York Stories é um arranjo de 3 curtas dirigidos por Woody Allen, Copola e Scorcese, então o filme é muito bom. Cão Sem Dono eu gostei bastante. Persepolis é ótimo, muito bom.

E Woody Allen! Tenho assistido muito Woody Allen e pretendo assistir mais. Quanto ao comentário da leitora, sim, acho que tem razão. Nem sei bem o que queria dizer com ser um filme com menos humor. Bem que acho que disse isso porque os filmes dele geralmente são sobre desventuras; sobre a vida cotidiana ser um desastre; de que nós estamos sempre devaneando com romances sem futuro; termos muito orgulho pelo que dizemos e pensamos; que somos egocêntricos, delirantes e triviais. Já em Vick Cristina Barcelona, apesar de toda tragédia final, há uma grande aventura na Espanha, sei lá, não é tão cotidiano! Menos humor, mais aventura. Bem que não tem menos humor mesmo, por que eu fui falar um negócio desses?

6 comentários:

leitora disse...

ah, fala sério... este blog aqui é o que há, nesse janeiro insuportável pós-festas e pós recessos... que delicia! desculpe meu impulso de comentarista requisitada (e não-moderada) por vc...aff! como sou chick.
Mas então, meu querido amigo-comparsa, Woody é o cara mais auto-crítico desse mundo, e por isso eu o adoro. Ele consegue arrancar até o ultimo suspiro de hipocrisia existente no universo das relações humanas... Outra diretora maravilhosa é Sophia Coppolla, recomendo todos dela. "Encontros e Desencontros" é um clássico!
Vá lá, e depois diga!
beijo na testa!

Anônimo disse...

Isto é apenas um teste. Mas com  muito estilo.

Anônimo disse...

Bem, já que não posso ter um pseudônimo interessante, talvez até lúdico para expressar minhas idéias cretinas... Farei da maneira mais fácil e covarde possível. Anonimato. Bem, adoro cinema. E isso é tudo. Muitos dos filmes citados eu ainda não tive a dor ou delícia de assistir. Mas temos gostos parecidos. Desde a época que você me mostrou os verdadeiros sucessos do Quentin Tarantino. Mr.White. ^^ Queria aproveitar a oportunidade pra sugerir uma avaliação de sua pessoa para a nova música da Marisa Monte, eu não sei o nome, sei que odeio profundamente. Ela possui frases como. "E no final de semana... Mando e-mail para Joana" Sunday de chocolate". Talvez eu não tenha sacado a da música. Soa como merda entrando pelos meus ouvidos. Me dá vontade de atirar em alguém. Bem é isso. Sinto que farei isso mais vezes.

P.S: Desculpe o teste acima, foi muito retardado, achei que não ia funcionar. :D

leitora(pra lá de ofendida) disse...

É impressão minha, ou isso foi direcionado a mim? Ora, em respeito ao Priori, prefiro não revidar tão absurdamente e me calar... Não tenho mais idade para isso, e que eu me lembre, o humor, a expontaneidade e o fato de alguém preferir o anonimato para se manter a aura de "surreal", nada tem a ver com covardia, e pelo contrário, não é nada fácil, pq vez ou outra a gente sempre deixa pistas de quem somos.. não é anônimo? hehe
Mas é isso... GAME OVER! vou procurar a minha turma!
E Priori, quando minha mágoa passar volto a brincar, por enquanto, tô muito triste...
Bjo na testa!

Victor disse...

Olá! sou amigo do Thiago, que me indicou seu blog.
Filmes pra mim são arte delicada. Mostram que é legítimo assistir para rir, se emocionar, chorar, se excitar, refletir, entreter, etc.
Desde que legítimo e honesto, não há nada de ruim em viver tais sensações num filme.
Posso me considerar um cinéfilo moderado, por vezes inconstante na assiduidade, mas grande admirador desta, aaahan, delicada arte.
Um abraço, Victor

brasil disse...

Vi "O curioso caso de Benjamin Button" esse fim de semana, gostei bastante.
Vou ver o quanto consigo ver daqueles filmes essa semana.