Desventuras insólitas e sei lá...

sábado, fevereiro 28, 2009

Velho

Eu sou velho, velho, muito velho, extremamente velho. Estou feio e acabado. Não tenho mais paciência para revolta adolescente, para otimismo romântico ou esse pessimismo niilista. Não venha me dizer quem sou, como sou, como devo ser. Não venha me ensinar, não venha me corrigir. Eu sou velho, daqui uns dias virá a esclerose múltipla. Eu manco, eu reclamo, ninguém me entende, nem os ateus, nem os artistas, muito menos estes pessimistas. Ninguém percebe a verdade que aprendi com as batalhas e com o sofrimento. Ninguém entende minhas piadas, ninguém entendeu meu charme, meu ritmo lento e nervoso. Não tenho mais paciência para festa, para sorrisos, para porcarias. Isso não é carência, não é fraqueza. É a arte e o cansaço de um velho ancião muito velho!

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Annie Leibovitz

Mais um post roubado do Milton Ribeiro! Fotos da Annie Leibovitz!

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Os Três Mal-Amados

Uma poesia de João Cabral de Melo Neto. O cara da foto!
Os Três Mal-Amados

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Pirenópolis e Lágrimas

Como diz aquela música, fico tão triste quando chega o carnaval! Nunca vi tanta gente pedindo quanto ontem em Pirenópolis, uns dez apareceram pedindo cigarro, vários pedindo dinheiro para inteirar uma pinguinha. E eles falam pinga sem receio, orgulhosos exibindo sua própria honestidade e forçando a responsabilidade de recompensá-los pela virtude de não enganar. Os banheiros acabados, destruídos, com o chão empossado, um cheiro insuportável. Mendigos dormindo pelas calçadas, gente machucada (tinha um cara caído com a cabeça sangrando), gente brigando, muita droga. Policiais, confusão e sujeira por toda a cidade. Uns amigos me contaram que na sexta-feira um cara tinha defecado e urinado na calçada do lado da mesa deles. Carnaval é a pior época do ano. Garotos bêbados fazendo algazarra e tentando beijar estranhas que fogem perdidas. Não que eles não consigam sucesso, as crianças bêbadas sempre encontram umas doidas. É carnaval! O povo está a sambar! É a época da paquera e do flerte. Festa da carne! E do vinho! E eu solitário, isolado, odiando a tudo...

domingo, fevereiro 22, 2009

Bom Dia a Todos Vocês!

Estou a alguns dias sem escrever nada para o blog! Aconteceram uns fatos desinteressantes por estes dias, mas como eu sei que meus leitores gostam de big brother, eles vão querer saber sobre os detalhes de minha vida, e como eu estou sem assunto, será assim. Minhas aulas começaram terça-feira. O povo tem medo de mim, tem certo receio comigo. Mal começou e já tem esse feriadão do carnaval. Estou indo para Pirenópolis agora... Esqueci o resto.

imagem por zamorim

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Lista de Filmes do meu Perfil no Orkut

Fiz uma lista para o Orkut dos filmes que eu mais gosto. Eis ela:

Taxi Driver, Laranja Mecânica (Clockwork Orange), Waking Life, Adaptação (Adaptation), Cães de Aluguel (Reservoir Dogs), Antes do Amanhecer (Before Sunrise), Os Dose Macacos (Twelve Monkeys), Filhos da Esperança (Children of Men), Beleza Americana (American beauty), Sexto Sentido (The Sixth Sense), Bruxa de Blair (The Blair Witch Project), Estranho no Ninho (One Flew Over the Cuckoo's Nest), Menina de Ouro (Million Dollar Baby), Mundo de Andy (Man on the Moon), Hannibal, Forrest Gump, Dogville, Poderoso Chefão (Godfather), Poderoso Chefão II (Godfather II), I Heart Huckabees, Match Point, O Homem Duplo (A Scanner Darkly), Vicky Cristina Barcelona, The Matrix, Fight Club, Trainspotting, KIDS

Dessa lista talvez os que mais gosto sejam Taxi Driver, Laranja Macânica e Adaptação. Taxi Driver é um filme de 76 com o Robert De Niro, dirigido pelo Scorsese, ganhou a Palma de Ouro, mas perdeu o Oscar de melhor filme para o Stallone, merda!

Taxi Driver

Laranja Mecânica (1971) é o meu Kubrick favorito, tem uma história maluquíssima, já falei alguma coisa sobre ele aqui no blog. Adaptação é do reconhecido roteirista Charlie Kaufman. Nicolas Cage faz o papel de um diretor (Kaufaman) que tenta fazer um roteiro de cinema baseado em um livro (fazer uma adaptação para o cinema).

Adaptação

Reservoir Dogs, Cães de Aluguel, meu preferido do Tarantino. A cena que o Mr. Blonde tortura o policial escutando música e dançando é maravilhosa (não é a cena da imagem abaixo).

Cães de Aluguel

Waking Life, Before Sunrise e O Homem Duplo são do mesmo diretor, Richard Linklater. Twelve Monkeys é uma ficção científica. Children of Men passa no futuro. Tem dois filmes do Woody Allen (Match Point e Vicky Cristina Barcelona), deveria ter mais dele na lista. Matrix e Clube da Luta talvez foram os filmes que mais me marcaram, mas hoje eles não parecem ser tudo aquilo que eu via. Deveria ter colocado alguns dramas mais cérios. É muito difícil fazer uma listas dessas, ficou faltando muitos filmes.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Turma

Eu queria postar sempre. Na verdade, tenho postado bastante sim, mas estou querendo postar mais. Exercitar a escrita é bom, melhora muito a escrita. Só que eu estou sem assunto. Vejamos, quais são os problemas que tem me afligido ultimamente? Estou ficando louco, acho que estou triste. Falta dinheiro, falta o curso superior, queria ganhar grana, ter minhas coisas, igual aos meus amigos, no entanto estou morando com a "mamãe" nesse quarto mofado e sujo. Preciso viajar, conhecer o mundo. Este texto não está ficando muito legal, está um lixo. Lá vem eu de novo com a minha ciclotemática. Um dia eu escrevi um post aqui sobre tristeza, mas não publiquei, um dia eu mostro para vocês.

De toda forma este texto - que merda! - vai render alguma coisa. Não sei do que falar...

imagem por bastet

Sei nada sobre o festival de Jazz, leitora. E eu não sou péssimo jogador de basquete, Chiquinho. Eu sempre fui bom, muito bom, médio, relativamente médio para legal. O radinho do seu blog, Thiago, está funcionando sem problemas. Caro Luiz Felipe, cuidado com a língua. Thais Correia, não diga "porra, que merda", porra! Meu texto não é sobre como é divertido falar palavrões e sim sobre a merda que é quando se apaga o texto sem querer. É muito feio ficar xingando! Lembram quando eu falei que tinha feito uma grande poesia que um dia ia postar se me desse na telha? Então, essa poesia é a Dia de Inspiração que publiquei a pouco tempo. Um amigo me disse que eu sou a leitora, leitora é um pseudônimo que uso para me comentar. E faz muito sentido, me deixou encucado! O problema é que de certa forma eu precisaria ter dupla personalidade e eu não tenho isso. Essa personalidade minha, pelo menos, não tem.

No post anterior eu falei que fui duro com o João. Isso deixou o João grilado porque de acordo com ele eu fui super legal. Então ele pediu para que eu tirasse o nome dele do blog, mas eu disse que não estava afim. Na verdade não é que eu fui duro, é que eu empolguei, apelei e exagerei. O João ficará putíssimo por eu estar falando sobre ele de novo, ele deletou o blog dele, não gosta desta exposição. Por isso acho que vou apagar tudo isso que escrevi até agora. Ou senão intitular esse texto de João.

Eu preciso começar a falar sobre coisas, ter assunto, isso é urgente, porque se não vou me viciar em falar sobre essas coisas nenhumas e não vou conseguir parar. Eu preciso, eu preciso, eu preciso, eu preciso, você precisa, leia na minha camisa! Baby, i love you! Baby! Baby! Estou ficando divertido, isso é bom, preciso de diversão, porra!

Sobre anteontem, quando eu disse que estava escrevendo rodeado por tucanos foi o seguinte: eu estava com um notebook no chalé da minha tia usando uma dessas internets que tem agora dessas operadoras de celular, e então apareceram três tucanos numa arvore lá, não, eu não estava falando de partidários do PSDB e sim de tucanos de verdade. É uma cena cinematográfica, um grande escritor em meio à natureza do Centro-Oeste publicando seus textos através de um notebook e então surgem tucanos.

E falando em aves, eu vou para o Peru. Terceiro Mundo, América do Sul, eu morro de medo. Tem ladrão, violência! Mas minha mãe vai, droga, estou tão triste com isso! Merda, estou com medo de ela ter descoberto meu blog, agora não posso falar mais nada! O blog vai perder todo o desespero criativo! Estava planejando com o Rafael viajar, minha mãe ouve e decide que vai aproveitar a passagem em promoção também, a viagem é para junho. Toda vez que eu quero ir no Goiânia Ouro, minha mãe está lá, eu já estava grilado com isso. Mas essa viagem era para ser uma grande farra insana, uma epopeia alucinada. E agora vai ser só fotografia de arvore, de poste, de loja. Eu devia levar isso de boa, eu sei, eu sei, mas eu estou triste de verdade. Eu nunca viajei para o exterior, e eu estava planejando com o Rafael, e ela decide que vai. Eu sei, eu sei, não tem nada de mais, não tem nada de mais...

sábado, fevereiro 14, 2009

Pirenópolis

imagem por Maxxer_it

Estou em Pirenópolis entre os tucanos publicando este – como chama isso? - post, texto, recado, desabafo, manifesto. O homem está acabando com a natureza, não, brincadeira, vocês pensaram que eu ia fazer desabafo mesmo? Eu falei desabafo por falar, quer dizer, eu falo demais. Eu usei o termo desabafo porque eu estava listando vários potenciais sinônimos para usar no lugar de post, eu acho muito estranho falar post, esse internetês. Que legal, usar neologismo é legal, usar a palavra neologismo é legal também, mas acho que está chato essa... Esqueci a palavra, perguntei pra Gabriella, ela é vestibulanda, ela deve saber de figuras de linguagens e essas coisas, ela disse que está desconfiada que seja mesóclise. Ixe! Pesquisei na internet, nada a ver, mesóclise é aquele negócio doido que acontece quando fazemos um futuro com um pronome. Estou procurando na internet para achar a palavra, parece que essas vírgulas que eu uso chamam assíndeto, depois tenho que ver isso melhor. Estou falando desse meu negócio de falar sobre eu falar, essa ciclotemática, essa metatemática. Não achei na internet. Bem! Eu gosto de usar a palavra neologismo, mas não gosto dessa metatemática, isso é o que estava dizendo, mas pensando bem me irrita falar neologismo, coisa esquisita, traz recordações minha trágica infância no século vinte, sendo obrigado a ir para a aula. E pensando bem, metatemática é massa, pena que é um neologismo. O Felipe acertadamente falou que eu tenho a mania de construir bons argumentos, convencer e depois desconstruir e destruir o meu ponto totalmente. Mas acho que eu cada dia que passa estou fazendo isso de forma mais rápida e mais divertida.

Eu queria falar sobre ontem, foi uma noite cheia de temas para ser trabalhados por um artista sensível como eu. Peguei pesado com o João, droga, depois o arrependimento bate, é que ele falou que eu estava grilado com ele, e isso me deixou puto. O cara fica matutando loucura. Minhas vírgulas são uma maldição, eu não consigo usar ponto final. Pensando bem, talvez não exista muita coisa para falar sobre a noite de ontem.

Pirenópolis é... Sobre o que esse texto está falando? Não era esse o objetivo, ficar só nessa lenga lenga divertida e que levam os fãs a loucura, eu não sou comercial, eu sou underground. Juro que quando comecei a escrever eu planejava falar sobre as coisas, mas acabei me perdendo como um cachorro atrás do próprio rabo. E esse parágrafo ainda começa com Pirenópolis é e depois eu paro pra falar sobre eu não estar falando nada. Cansei!

Cansei não, olha eu aqui de volta, pessoal. Eu deveria ter usado... Rafael ligou no meu celular, é um longa história, tenho que ir agora, tchau. O Rafael está em Anápolis, vou lá buscar ele, o ônibus vai demorar. Tchau.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Confissões de um Grande Sujeito

Bem, preciso escrever algo hoje, mas não sei o que... Estava pensando em fazer um texto em louvor a mim, parece uma idéia interessante. Acho que vou fazer vários textos em louvor a mim, talvez um livro, mas não era esse o tema do blog? Não, isto foi só uma piada, é bom eu deixar algumas piadas claras, porque sei que muitas pessoas não pegam as piadas, talvez nenhuma, talvez eu esteja realmente fazendo piadas muito sem sentido, talvez alguém pegue, mas não tem problema, mesmo porque não são piadas, o meu ponto é que eu gosto de usar muitas vírgulas, meu ponto são as virgulas. Tudo bem, vou parar com tantas vírgulas. Encheu o saco já! O texto está ficando legal, mas sobre o que eu estava falando? Sobre nada, perguntei retoricamente. Ah, fazer um texto falando sobre mim.

O Luiz Felipe falou que eu sou pedante e falou mais um monte de merda de mim. Ele não poderia estar mais enganado. Explicarei quem sou eu, ninguém melhor do que eu para me conhecer bem, conheço-me a exaustão. Gosto de ser diferente, soaria comum dizer que eu não me conheço, formula manjada, não se conhecer não é mais poético como já foi um dia. De todo jeito, é mentira, retiro o que disse, não me conheço. Como eu poderia? Estou aprisionado dentro de mim, não é um bom angulo de visão, é até meio incômodo para dizer a verdade.

imagem por nrgthedude

Eu não sou pedante, na verdade eu sofro de autocrítica de uma forma que não se vê por aí. Os tiques nervosos que me fazem gritar pela manhã parecem ter algo a ver com ela. É doentio eu confesso. E quando eu falo em autocrítica doentia não estou falando só de auto análise constante, mas de auto questionamento, duvidar de si o tempo inteiro, sentir vergonha gigantesca pelos menores erros. E não usem isso como justificativa para a hipótese de que eu não tenha moderação. É justamente o contrário, eu tenho uma capacidade de julgamento fantástica em assuntos variados e não duvido disso. Mesmo com essa autocrítica obsessiva eu não posso deixar de acreditar que sou superior às pessoas que estão a minha volta, e não pense que estou falando das donas de casas, estou falando de todos, todos, todos, ou praticamente todos (existem exceções).

Agora preciso falar com os que pensam que sou muito duro quanto a filmes, que não reconheço o valor do As Loucas Aventuras de Bejamim Botão. É um filme bom em muitos aspectos. Contudo, entregar um prêmio de melhor do ano àquele filme é demais. Não que eu ache que isso não irá acontecer, pelo contrário, não vou com a cara do Óscar desde o estardalhaço do Titanic, e ainda temos o fiasco que foi Mente Brilhante ganhar o prêmio. Apesar de ser um filme interessante, ele é um filme pior que Doubt, pior que Gran Tourino (que tem seus defeitos), definitivamente pior O Leitor (The Reader). E não pensem que eu sou ou quero ser pessimista. Fui educado por Nietzsche para não cair nas garras do niilismo pessimista. Tenho horror ao pessimismo, eu sou bom humor total, alegria total, mesmo sendo suicida e depressivo. O mundo estava fadado à morte desde o início e as pessoas estão brutas e burras igual sempre. O otimismo supersticioso e o pessimismo niilista são igualmente fraquezas. Pronto, provei meus motivos de forma magnânima, com tamanha qualidade que tanto os que têm mais habilidades no âmbito da razão quanto os que menos têm ficarão convencidos que sou um grande sujeito.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Pré-socráticos

Não estava conseguindo ler o Hobsbawm e então fui para os pré-socráticos, o que foi mais fácil. Li depois outras coisas, estou lendo algumas e tal, estou conseguindo ler bem, o que é um alívio em muitos sentidos. Bem, os pré-socráticos eram uns malucos!

- Estou tentando lembrar como era este texto original, pois o apaguei por acidente. -

Fui testar minha mãe e perguntei para ela quem tinha dito que não se pode passar pelo mesmo rio duas vezes. Ela respondeu que não sabe, mas que só podia ter sido um maluco. Perguntei o porquê e ela: "ora, quando a gente vai para Estrela do Norte a gente passa pelo rio das almas depois a gente passa por ele de novo".

Tales disse que tudo é feito de água, mas eu acho que na verdade, isso por causa da minha posição moderna, que tudo na verdade é feita de água mineral tirando, é claro, o lado capitalista da água mineral. De acordo com Anaximandro tudo é feito de um só mesmo princípio (o que foi uma revolução), o ilimitado, o ápeiron. Já para Anaxímenes era o ar, e o ilimitado e limitado em grandeza e em quantidade. É engraçado verificar que as idéias que tornaram estes homens grandes filósofos são senso comum hoje em dia. Pitágoras além de criar o teorema de Pitágoras deu nome a seita fanática dos pitagóricos. Xenófanes de Colofão possuía o nome mais próximo do ideal de beleza da época. Já Heráclito, disse que tudo era feito de transformações e mudanças, para ser mais preciso: fogo. Parmênides descobriu que o que ser é, e o não-ser não é; de onde se conclui que o peso é ausência de leveza. Zenão inventou ótimos paradoxos, que, aliás, vão muito bem com tira gosto e uma cervejinha. Melisso de Samos eu não lembro, depois vou olhar e falo algo engraçado sobre ele. Empédocles trouxe a visão vigente atual de que tudo é feito de terra, água, fogo, ar e coração (amor e ódio). Filolau descobriu que não pode existir mais de uma coisa e que o movimento não existe. Para Anaxágora cada coisa é feito de tudo. Por exemplo: cadeira é feita de bacon, hambúrguer, batata palha, milho, ovo, cadeira, etc, onde a cadeira é o que prepondera. Leicipo diz que tudo é feito de átomos, visão que seria a mais aceita se não fosse por Empédocles e seus quatro elementos. Demócrito roubou a idéia dos átomos e acrescentou belos pensamentos de auto-ajuda.

- Não ficou idêntico, mas ficou bem próximo. Esta versão ficou até um pouco melhor! -

Estou puto!

Porra, que merda! Eu fiz um baita texto falando sobre os pré-socráticos e apaguei tudo sem querer, estou puto! Que merda! Depois eu faço tudo de novo!

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Dia de Inspiração

imagem por vgm8383

Dia de Inspiração

Sentar e escrever
uma bela poesia de amor
é um serviço impossível
nas tardes desta cidade.
Sento...
Caneta para simplificar
minha inevitabilidade..
- que baboseira -
Caneta é um punhal
que enfinco em meu peito!
- não -
Resolver problemas,
ir ao shopping
são para os saudáveis.
- não sei -
Estou perdido...
entre caneta e papel.
Para todo lado que olho
vejo paredes...
Vivo em um labirinto mofado,
sozinho e sem platéia.
- sim, sim, ótimo -
Reviro o cesto de lixo..
sonho encontrar um grande amor.
Acho alguns versos sem rumo:
Não saber dormir
é um charme que cultivo.
Não saber andar
é o meu último protesto.
Não saber amar é
minha saudade sem fim.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Uma Poesia

Não sei bem o que publico hoje... Vou por uma poesia minha que escrevi há muito tempo. Não que eu escreva desde muito tempo. Eu tinha que pensar em um bom título para ela...

imagem por anthlockton

Respiro por um fio imaginário que
leva o ar de um lugar infinitamente distante à
minha sustentação.
Carrego comigo o fardo de
um dia de um dia sindo alguém e
de ter andado por aí.
Carrego a desconexa lembrança de
chorar por noites, de viver por anos e de
gargalhar de coisas bestas da TV.
Carrego uma pequena ilusão de
um dia algo.
De dignidade só
uma coisa me resta,
um fraco e
único desejo:
viver...
.