Desventuras insólitas e sei lá...

segunda-feira, março 16, 2009

Olhando o Espelho

O homem é narcisista, e seu prazer em raciocinar é exagerado. Ele gosta de habitar a si e de dentro de si olhar para si. Essas são talvez as principais fraquezas do ser humano, suas principais tolices. E na perdição da razão muitos, carentes de pensamento, preferem negar com todas as forças o mais evidente e acreditar com toda paixão no mais absurdo. Acreditar no absurdo não é só mais atraente que acreditar no nítido e incontestável, ele é muito mais atraente que acreditar no apenas provável, o homem prefere errar grande a errar pequeno. O homem ama imagens invertidas. Isso porque ele sente carência, carência de pensamento, de liberdade no processamento intelectual, falta desejo natural na sua cabeça primata. E negar o mais evidente é como eu chamo a fé em Deus. Nada deveria ser mais certo à razão que a morte ser o fim do ciclo que começa no nascimento e que o homem faz parte de algo maior, mas indiferente a ele, um ecossistema e um universo que o cria e interage com ele não por afeto, carinho ou raiva, mas por uma lógica própria e motivos impessoais. Nisso deveria basear a lógica, mas o homem não é espírito puro, ele é o ser fraco pela razão. O homem é o ser do julgamento, da comunicação e isso somado ao seu lado animalesco o torna o ser do narcisismo e do absurdo. E por isso é preciso ser louco para ser sábio e só um corpo doente conseguiria ser honesto me diz o espelho.

2 comentários:

Luiz Netto disse...

Mens sana in corpore sano.

leitora disse...

como diria aquele velho, sábio, lindo-maravilhoso, Ferreira Gullar: " a verdade ninguém sabe, esta é a verdade..."
não adianta enlouquecer procurando, de onde veio a infinitésima partícula da poeira cósmica que tudo criou... melhor nem saber...