Desventuras insólitas e sei lá...

quarta-feira, maio 13, 2009

Morto

Cada dia que passo morro, não, não estou falando dessas mentiras que os médicos contam, estou falando da realidade, eu estou morrendo, estou apodrecendo, deixando de existir. E vocês também. Estão todos marchando para o esgoto a passos largos com a cabeça lotada de tolices. Não estou falando de uma dádiva, ou de alguma beleza na inevitabilidade. Estou falando da cerveja, da televisão, dos vírus, da gripe suína, da preguiça, da vingança, do ódio divino. Morte não é uma afirmação da vida, não é um elogio ao vento, e muito menos um raio de luz. A morte é o coco, a morte é o xixi, a morte é câncer na poesia. E só está morrendo aqueles, que como eu, nasceram e disseram não a tudo aquilo que era esperado um sim, desafiaram e ridicularizaram o livre arbítrio, e enxergaram o que não era permitido. Sim, todos vocês, que procuram respostas onde só há poesia estão fadados a morte, ao buraco escuro dos anônimos. Todos vocês que mancam, tossem e a cada dia se sentem mais fracos, todos vocês estão fadados ao anonimato. Sei o quanto morto estou, e o quanto todos estão, posso ouvir o vazio no fim da linha...

2 comentários:

leitora disse...

eu ein?? quero não!
quero estar vivinha da silva... tem um bocado de coisas que não terminei ainda de fazer e mais outro bocado que não ousei ainda fazer, neste pequeno intervalo entre o nascer e o morrer.

Nath disse...

"Sim, todos vocês, que procuram respostas onde só há poesia estão fadados a morte, ao buraco escuro dos anônimos. "
Adorei!