Desventuras insólitas e sei lá...

quinta-feira, junho 25, 2009

Liberdade de Expressão

imagem por stryker66

A liberdade de expressão não pode ser ilimitada. Imagine alguém gritando por maldade no cinema: "Fogo! Fogo! Fogo!". Me parece um caso em que o discurso pró liberdade não é defesa suficiente. E outro caso, se por exemplo alguém ofender uma criança causando um trauma. Se uma pessoa grita fogo sem haver fogo ela não está defendendo uma opinião e nem está expondo uma arte, fazendo uma performance a uma platéia. Ele está conscientemente enganando por um prazer sádico, o intuito é o de causar desordem e este é o resultado natural, ele seria como um estelionatário que enganasse por prazer. Se um artista criasse uma obra que de tão fedorenta ou barulhenta incomodasse bastante a todos, isso fugiria do âmbito da comunicação e da liberdade de expressão, e se torna agressão física. Ofensas a menores de idade e pessoas com deficiência mental parecem ser casos especiais. Elas não são cidadãs completas (ixe! eu não deveria ter dito isso) e a suas fragilidades fazem com que elas devam ser ser tratadas com cuidados extras.

Essa impossibilidade de dar liberdade total à expressão me deixa muito encucado, visto que estou do outro lado, sempre defendo que é mais justo aumentar a liberdade de expressão. Não entendo, por exemplo, por quê apologia às drogas é crime. A defesa às drogas deveria ser protegida pelo governo, seja feita por um erudito articulado, seja por um músico de quinta categoria da cultura de rua. Assim como não consigo concordar com grande parte dos processos por danos morais. Se estou com raiva de alguém vou ofender essa pessoa, isso deveria fazer parte do meu direito a liberdade de expressão. Que valor tem uma argumentação quando a defesa contrária é proibida? Um adulto são e saudável processar por causa de palavrões e outras ofensas é ridículo. E ainda temos o mais estranho, o crime de racismo. A lei que resumidamente diz que posso chamar uma pessoa de filho da puta, mas não posso chama-la de preto, mesmo se ela for um preto desgraçado (risos).

Um dos primeiros posts desse blog foi um em que gozava Marcelo Camelo e sua namorada, se este blog tivesse grande visitação e eles me processassem eu facilmente perderia. Eu preciso de mais liberdade de expressão. Preciso para a minha arte, assim como os melhores críticos precisam. Que sentido há em eu ter o direito de dizer que a raça negra é bela e ser proibido de dizer que a raça negra é horrível, ter o direito de dizer que as drogas fazem mal a saúde e não poder dizer que elas são maravilhosas? Isso é censura à crítica negativa, e são leis de covardes, ressentidos, medrosos. O processo que Milton Ribeiro está levando da escritora de A Casa das Sete Bucetildes foi o que finalmente me fez escrever esse post, mas pensava em escreve lo a muito tempo, o Lindomar foi censurado no Recanto das Letras por chamar os mórmons de adoradores do diabo e não consigo ver crime nenhum no que ele fez ou no que o Milton fez.

Os relativistas do século XXI defendem que cada um é cada um e que devemos respeitar a todos, o que me parece de uma hipérbole de extremo mal gosto. Na verdade, idéias perversas e negativas devem ser perseguidas, aniquiladas, combatidas, mas o que não se pode é destruir o direito de elas serem idéias e não se pode proibir a defesa a estas idéias.

5 comentários:

leitora disse...

poizé... chega de censura!

Rafael disse...

Bom texto.

Luiz Felipe Leal disse...

muito bom esse texto!!
engraçado como você tem o tino certeiro pra crítico, com essa do diploma se eu fosse você, me aventuraria na profissão.

liberdade, né?

brasil disse...

Esse ficou bem bom mesmo.

diogo_milazzo disse...

Fera.