Desventuras insólitas e sei lá...

quarta-feira, junho 10, 2009

Me Vou

Se criatividade madura se desce em arvore, desceria rolando escada a baixo até minha cabeça errante para sim fazer uma boa poesia, que seja perdida, que seja sem direção, trazendo luz a toda a sujeira do meu quarto. Risos, milhares, por que não? Nuvens dançam o tango dos deuses. A chave do meu coração está sobre a escrivaninha, se um ser mitológico pegar e levar para longe, serei triste e poeta para sempre, e nunca morrerei. Quem sabe? As arvores, as nuvens, a chuva lava as pedras, lava os assuntos, traz a gripe, e eu aqui, pronto para tentar, mais uma vez, poesias. Minha mão vai aos céus, trago uma estrela no meu bolso, caio flutuando entre solidão e pássaros, afundo na minha cama, não sei se devo, não sei se não, não. Não fui feito para namorar, Deus me fez diferente, solidão, não consigo mentir, só aqui, entre essas palavras e restos! Vamos ao rio, riar, escorrer, correr até a praia, e naufragar nas profundezas escuras da vida. Estrelas do mar, montar cavalos marinhos, canto das baleias! Um apartamento na Lua, muito o que pensar sozinho. Mas quero é Sol, aquele ponto gigantesco no topo do tudo, que ilumina, manda, queima e se vai. Noite, não, não é. Vou me para o Sol, agora sim, passarei alguns dias por entre as chamas malvadas, gargalhadas, passarei anos acordado. Que susto! Olhe o que tenho aqui, dentro desta caixa de sapato, é um fígado comido, um pouco de sangue, um pouco de vida, sou eu aqui, dentro desta caixa de sapato, olhe como se mexe! Nem parece que sou eu! Saudade, vou, vou, mas fico a todo segundo que passa. Por mais que eu vá, eu fico.

Um comentário:

leitora disse...

o ar rarefeito te fez bem...