Desventuras insólitas e sei lá...

terça-feira, dezembro 29, 2009

Humor

Humor, torta na cara. Simples. Ou um tombo. Tentarei pensar em uma cena. Dois jovens apaixonados, ele tenta a impressionar, ele é desengonçado e sem sorte, ele está levando uma torta de presente para a namorada, ele toca a campainha da casa, o cachorro late, está chovendo, ele escorrega, leva a torta na cara, ele olha para um lado, olha para a porta e a porta se abre, ele está com a cara coberta de torta. Poderíamos fazer algo mais requintando, algo político, a inflação é um dragão, o Lula é um animal qualquer e outro bicho representando um certo problema, um deles diz "estou chegando", o "estou chegando" passa um leve tom de ridículo que causa humor. Ironia, ironia é algo mais nobre, poderemos falar sobre a queda do ditador cubano em 2004. A queda faz referencia ao tombo literal que o presidente teve em uma cerimônia de formatura, queda que feriu um braço e fraturou ossos do joelho. Humor, poderíamos ter algo mais profundo, nós vamos morrer, ponto final. Uma página com uma frase escrita no centro, um homem velho, ela pega os óculos para ler, está escrito: nós vamos morrer. Nós? Eu me pergunto agora enquanto escrevo este texto, nós seria eu e a folha, o velho e a frase? Falta de sentido, humor, nuvens, teclado, teclo, fedor, o mundo tem alguns problemas. Estou fedendo cigarro, tenho bebido por toda a semana, não sei conversar com mulheres, humor, Leonardo Priori, narcisismo, poesia concreta, humor concretista. Realidade tem alguns problemas, humor, humor...

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Liberdade

É, parece que não consegui manter o fôlego neste blog. O ano está acabando, a década está acabando. Me parece que esta década foi a década da internet. E imagino que as redes sociais vão nas próximas décadas aumentar bastante suas influências em nossas vidas. O interessante será quando isso conseguir interferir na política e nas decisões do estado. Um governo baseado em internet. Os muros que aprisionam o homem vão sofrer transformações, o estado vai ser mais ligado ao povo, mais democrático em certo sentido, mas ainda estes muros serão muros mais fortes, mais resistentes, mais similares ao muro ideal intransponível.

Penso que liberdade é conhecer as opções que temos, e neste sentido "eu vejo a vida melhor no futuro". Liberdade é ver o contexto, o contexto não nos aprisiona. Por exemplo, não podemos voar, isso faz parte do contexto do ser humano, do contexto da nossa vida, e vendo isto claramente, isso deixa de ser um problema. Já a vida após a morte é uma idéia que nos aprisiona e faz a gente se sentir preso, pois não conseguimos ter certeza se vamos morrer de fato, somos obrigados a sonhar, e isso trás o sentimento de limitação, impotência e de não ter liberdade. Acho que esta forma de entender a liberdade é a forma do hedonismo. Mas às vezes desconfio que a verdade é o contrário, a liberdade é justamente o não conhecer, se você conhece bem o contexto você não pensa sobre ele, a mente é movida por enigmas. E conhecer bem o contexto te impede de errar, e sem erro não há responsabilidades, nem reflexões. Só há reflexões no desconhecido, e se há reflexões a respeito de tudo, é porque tudo é desconhecido em parte. E aquela metafísica maior, aquele deus único, a maior mentira, o maior absurdo é justamente o que move o homem e cria o homem. Onde eu estava? Ah, sim, conhecer o contexto te torna uma engrenagem sem propósito do universo, uma particula, te torna menos humano e menos livre. É justamente por a natureza e suas partículas não pensarem e não serem livres que a natureza sempre triunfa, ela vale por si só, ela sempre está certa e ela tem domínio total do contexto, mas não tem liberdade, não tem felicidade, não tem paz, não tem guerra. E o que seria mais humano, o civilizado ou o animal? ...

Mas claro, ainda há a possibilidade destes muros do futuro não serem tão fortes, e vir o deus do fogo e da morte de novo, como sempre, cientificamente dizendo, risos.