Desventuras insólitas e sei lá...

sábado, novembro 20, 2010

Quando o Mundo Chega aos Olhos

Quando o mundo chega pronto aos olhos
Quando a vida chega pronta à mente
É como um filme passando em uma grande tela esticada
Com aparelhagem de som de altíssima qualidade
Se bate uma brisa ou um vento forte
Sinto na alma
Se visto uma roupa ou até carrego uma mochila
Sinto o fardo
O peso da materialidade da roupa
Então olho em volta e vejo gente
De braços e pernas como eu
Me imitam e pedem para imita-las
Elas mostram felicidade e desespero como se
Houvesse dentro delas algo de mim
Algo que anseio e busco em seus olhos
Mas sempre tão afoitas fogem para outro lugar
E me deixam sozinho
Às vezes eu sonho e viajo
Sou morto novamente
E crio com mais liberdade
Acordado não sei quem cria tudo isso
Se é Deus
Se sou eu
Ou se é um nada oco como os olhos do demônio
Não digo que é bom, nem que é ruim
Sei que é fascinante o quanto tudo parece real e
O quanto tudo talvez seja real
Mesmo com o sofrimento, a limitação dos poderes,
A monotonia do trabalho obrigatório e a morte a espera
Sei que é impressionante
A forma como o tudo que talvez nada seja se entorta se torce e se arranja
Em um universo gigante e este coração que pulsa

quarta-feira, setembro 15, 2010

Sendo Deus

É estranho ser Deus e não se reconhecer no espelho. Eu sou deus, não que eu seja perfeito, mas sou consciência. E reconheço meus semelhantes. Não só as pessoas. As arvores, os animais, o chão e o céu também. Todas as coisas são meu reflexo, minha amada criação. E toda a aparência é parte de mim. Não que eu seja uma linha reta, pois sou um nó. E tudo que é visível é outro nó, um nó de mim. Só a luz é reta. E por mais que ilumine sempre será invisível. E como sou a verdade primeira, toda a ciência é apenas reflexo de mim e nunca o contrário. Amo eternamente! Obrigado por tudo!

domingo, setembro 12, 2010

Falei Talvez

Falei
E talvez tenha falhado
Mesmo porque preciso
E não sei o que
E se devo
E viajando
Moldando edifícios inusitados
Palavras, receitas e ingredientes
Mas passado o tempo
O futuro fará
Algo de nós
Quando cansados nos libertarmos
Como uma coisa que se liberta
E alcança, assimila e expande
Não sei se faço bem
Em caminhar assim
Me abrir para estranhos
E dizer como me sinto
É como se faltasse
Um pouco de tudo
Se fosse para dizer
Eu bem que gostaria
Se fosse pra lembrar
Eu me esvaeceria
Que por mais que desejasse
Nunca fostes minha
Se pudesse esquecer
Eu me despediria
Mas do coração
Não há saída

domingo, agosto 29, 2010

Dizem

Dizem por aí que dizem por aí algo. Eu não dou a mínima. Há muita gente criticando. Não que eu me importe demais. E também não estou aqui pra justificar. Tem muita gente dizendo muita coisa. Falando que o importante é agir, que o importante é isso ou aquilo. Muita gente tentando fazer arte. É redundante falar no excesso de barulho, frases e poluição em geral. Mas o bom é que não falta eu. Se faltasse eu, o mundo não seria um lugar tão bom. Sei que em muita gente eu falto. É de dar pena, apesar de não dar. Procurem a mim. Se tiverem sorte talvez isso funcione igual funcionou comigo.

Desespero Pela Manhã

Nada mais gostoso que
Aquele desespero pela manhã
Os passarinhos cantando na jabuticabeira
E um tédio que vem me consumindo,
Como se começasse na testa,
Se espalhasse lentamente,
Passando pelas costas e
Enchendo o peito!

E penso nos homens,
No quanto estão abaixo de mim e
No quanto são insuportáveis,
Nasce um sorriso bobo.
Um sarcasmo bailarino.

Abaixo a cabeça.
O coração é torcido,
Mas não cai uma lágrima.
O tempo me deixou seco.
Talvez seja a brisa matutina...
Oh, vontade de dormir um sono
Tranqüilo e eterno...
Como amar é bom!

E é de manhã que às vezes
Assim que do nada
Me vem dá uma
Vontadinha de morrer
Que quase me faz
Chorar...

domingo, agosto 08, 2010

O Homem Não Tem Escapatória!

O sujeito é o substantivo e o predicado é o verbo. O resto são adjetivos e estruturas de composição. Quem foi mal acostumado pela escola pode não entender o que digo. Contudo isto não é questão de gramática normativa mais do que problema filosófico. A gramática quer segurança, mas não há segurança nem no pensamento quanto no mundo. O devir versus a substância faz a língua. Língua que é ferramenta indispensável para o nosso pensamento sofisticado. O devir e a incerteza é o que manda, mas o nosso desejo é que sejamos sujeitos do nosso futuro. O desejo cria os conceitos e os substantivos. Substantivos são o ideal, mas o verbo é a realidade. E é deste combate do devir imperativo e do desejo de segurança que temos a tentativa de criar verbos que não sejam movimento e transformação e a tentativa de criar substantivos que descrevam ação. Enquanto isso a arvore amarrada na terra é verbo. Toda a explicação, toda a realidade é verbo. E o homem não tem escapatória!

sexta-feira, julho 23, 2010

Shadilignhs Izeruldis


por Włodi
Shadilignhs provavelmente é o maior compositor da atualidade. Nascido em 52 na Coréia do Norte, iniciou seu aprendizado de piano logo após a morte de seus pais aos seus 3 anos quando foi morar na Rússia. Aos 5 anos já se mostrava um grande músico tocando em grandes concertos nos subúrbios de Moscou. Contudo foi só nesta década que ele veio a ser verdadeiramente reconhecido no resto do mundo.

Shadilignhs Izeruldis é um manifesto adorador da Salsa escandinava e é visível vários elementos do estilo em sua obra. Principalmente no seu concerto para clarinete, obra que provavelmente é sua mais popular. Ela aliás foi a que concedeu mais prêmios para Shadilignhs. Dando inclusive o Grammy em 2001 de música erudita ocidental ortodoxa para o autor. Confesso que quando escutei pela primeira vez chorei muito e não pude trabalhar naquela semana. A forma gesticular dos movimentos vão se desformando em versos sem fim e residuando naquela bela poesia ortogonal fecha a obra de forma minimamente estulzacionante. O seu domínio das cores orquestrais é sem igual. E duvido se até mesmo Ghertupis conseguiria correr de forma tão voluptuosa.

Vale a pena escutar também sua Sinfonia No. 1. Nela vemos a famosa carreira crescente de apenas um golpe evoluindo até o grande ápice que depois se desmorona por cerca de 20 minutos em brilho esplendorante que enche a sala de estar. O seu estilo muito lembra o de grandes codificadores de C da década de noventa. Animei escrever sobre ele justamente porque por estas semanas tenho programado bastante ouvindo suas obras, as três. Procurem ouvir-lo. Tenho certeza que será uma grande experiência.

quarta-feira, julho 21, 2010

domingo, julho 18, 2010

Twitter Nervoso

As vezes algumas frases loucas surgem na minha cabeça maluca em impulsos nervosos repentinos. Agora decidi que vou a escreve-las no twitter. Já coloquei três lá. A primeira foi: “Deixa eu te falar o que acontece quando acontece algo: nada acontece.”. Mas tenho uma grande desconfiança que a frase na sua origem era levemente diferente. Não era “o que acontece quando acontece algo”, mas “o que acontece quando algo acontece”. Que de fato é uma versão bem melhor da publicada. A segunda frase foi a super desconcertante: “Eu tô fazendo uma pirraça, uma brincadeira que eu não gosto de fazer.”. E a última que postei logo agora foi talvez minha preferida: “Eu não pergunto mais de nada na cidade do amor.”. E tenho mais uma anotada para eu postar daqui um tempo: “Deixa eu te contar uma coisa que eu nunca pensei que...”. Vou começar a andar com papel e caneta pra sempre que surgir uma frase louca sem sentido eu poder anotar e mais tarde twittar (que palavra horrível). Muitas pessoas deviam achar que eu estava louco postando frases idiotas como estas, espero que esta explicação justifique meus atos e deixe mais claro meus motivos. Mesmo porque eu ainda sou criativo e estas loucuras impulsivas não se comparam com a minha criatividade sã. Como vocês podem ver nesta frase que twittarei daqui uns dias: "Alguém já ouviu falar no mistério do jabuti paranóia? Não adianta procurar no google, você não encontrará nada."

segunda-feira, julho 05, 2010

O Hexágono de Priori (versão beta)

Estou criando uma nova seita mística ou talvez religião (que vai deixar Cabala, Cristianismo, Espiritismo, Cientologia e o resto no chinelo). Dependendo do andamento, quem sabe, fazer uma organização secreta. O primeiro conceito que os seguidores devem aprender é o do "hexágono de Priori". Na ordem os vértices correspondem a riqueza, realidade, paz, mundo, desejo e guerra.

RiquezaRealidade
GuerraPaz
DesejoMundo

Realidade e mundo são dois conceitos que não devem ser confundidos. A realidade é aquilo que o mundo impõe a nós e mundo é o que se espera da realidade. A realidade está mais ligada ao chão enquanto o mundo às estrelas. Lembre-se que o mister da realidade é o esperto enquanto o mister do mundo é o sábio. Já a criatividade só poder se encontrada na mente em guerra. Deste hexágono também pode se visualizar 2 triângulos. O da realidade, que tem guerra e mundo. E o do desejo, com paz e riqueza. Encontramos também os três opostos. Realidade e desejo. Mundo e riqueza. Paz e guerra. Só uma visão realista do mundo pode gerar paz. Mas se o mundo gerar guerra haverá desejo. E somente se a guerra ir a realidade haverá riquesa (força e esperteza igual a dinheiro).

Lembro a todos que esta é uma versão beta sujeita a alguns defeitos e modificações futuras. Espero que todos me enviem criticas e sugestões. Seria importante tentar resolver este problema no paralelo realidade e mundo, talvez introduzir uma Vida no sistema resolveria.

quinta-feira, junho 10, 2010

Deus Veio Aqui em Casa Ontem

Deus veio aqui em casa ontem. Ele tocou a campainha e eu fui lá.

— Leonardo!
— Eu! Perai que eu vou abrir!
Fui lá e abri pra ele. E ele já foi direto ao assunto. Na lata!
— Que história é essa de você dizer por aí que eu não existo?
— Que? Eu nem te conheço.
— Claro que me conhece. Eu estou em todos os lugares, meu rapaz!
— Ah, cara!
— Eu sou Deus, porra! E você além de não acreditar que eu existo fica incitando o povo a não acreditar também. Isso é muita falta de consideração, jovem!
— Agora eu to meio ocupado com uns negócios ali. Depois agente conversa. Falou!
— Você tá ocupado pra Deus?
— Se você é O Homem faz uma mágica, aí!
— Como assim?
— Faz uma mágica, uai!
— Tá! Tá! O que você quer que eu faça.
— Sei lá, faz aparecer um elefante aqui no meio da rua.
— Abusadinho você!
— Uai! Se você é Deus, faz aparecer um elefante.
— Mas isso vai assustar os vizinhos. Imagina o que eles vão pensar vendo um elefante aparecer do nada no meio da rua. Isso não vai rolar não. Pede outra coisa.
— Hum... Faz aparecer cem reais no meu bolso.
— Pronto.
— Caraca!!!!!! — A nota realmente tinha parecido no meu bolso. Na hora pensei que aquilo deveria ser um tipo de pegadinha e olhei para os lados procurando uma câmera escondida. — Como você fez isso?
— Eu sou Deus. — Ele falou cheio de pose.
— Nem tanto! Nem tanto!
— Pede outra coisa.
— Adivinha o número que estou pensando.
— Então pensa em um numero.
— To pensando.
— Está pensando? 23!
Olhei meio desconfiado, não estava acreditando no que estava vendo.
— E agora?
— 32, 51, 47, 1517.
— Faz a minha calça mudar de cor.
E ele fez. Parecia um sonho. Eu estava assustado e admirado.
— Caraca! Você não quer entrar?
— Quero sim, meu jovem. — Ele parece mais alegre agora.
— Quer tomar alguma coisa? Um cafezinho?
— Não, não. Não tomo café.
— Ah, sim! Claro! — Fiquei sem graça de ter oferecido café para Deus.
— Não sou muito fã de café.
— Tem suco!
— Não, obrigado. Mas como eu ia te dizendo. O negócio é que você está falando por aí que eu não existo. E como você sabe isso é um pecado grave.
— Você é mesmo Deus?
— Claro que sou. A sua calça não está vermelha agora?
— Sim, mas e se você for o diabo?
— O diabo não consegue ler a mente das pessoas.
— Mas eu vi um homem na TV que descobre o número que as pessoas estão pensando.
— Sim, mas este homem conseguiu transformar a sua calça em vermelha?
— Bem! Você tem um bom ponto. Mas você pode ser o diabo. Quer dizer, como o cara da TV consegue descobrir o que as pessoas estão pensando e o diabo não pode?
— O diabo pode desconfiar do que você está pensando melhor que muita gente. Mas ler a mente mesmo ele não pode.
— E quem disse que ele não pode?
— Meu jovem! Ele não pode. Todo mundo sabe disso. Pode perguntar pra um padre ou pra quem você quiser.
— Não sou muito chegado em padre.
— Olha. Eu posso ser Deus, posso ser o diabo, posso ser mágico de outro planeta. Você pode me chamar do que você quiser. Eu só quero que você me respeite. Que entenda que este mundo é maravilhoso.

Neste momento eu tive uma iluminação. Ele era Deus. Deus de fato. Em pele de homem, mas ainda assim o criador, o arquiteto de todas as coisas, o magnânimo, o magnífico, Deus, aquele que é.

— Deus! — Olhei assustado. Não sabia se ficava super alegre ou o quê. Dei a mão para ele. Ele me cumprimentou. Beijei a mão dele. Ele riu e disse:
— Calma! Calma!
— Eu acredito em você. Eu acredito. E vou contar para todos que você existe. Não se preocupe. Amanhã mesmo vou escrever uma parábola no meu blog contando o nosso encontro.
— Ótimo, meu jovem. ... O seu quarto é aqui?

Ele abriu a porta do meu quarto e entrou. Fui entrando atrás dele e quando olhei ele já tinha desaparecido. E pior é que os cem reais que ele fez aparecer eu não consigo mais encontrar.

segunda-feira, maio 17, 2010

Alma Bêbada

Não sei como cheguei em casa. Estava podre de bêbado. Dormi. E minha alma saiu do corpo. Foi até a cozinha. Mexeu nas panelas procurando comida. Não encontrou nada. Passou mal e vomitou na pia. Tentou fazer não sei que coisa que tropeçou e caiu dentro do lixo. Depois saiu do lixo, tirou a roupa e resolveu que iria fritar uns ovos. Lá estava eu. Pelado, sujo, bêbado e fora corpo tentando fazer ovos fritos. Como não tinha ovos em casa, sai para comprar. Fui a padaria perto de casa, mas estava fechada. Vaguei por toda esta cidade. Tudo estava fechado. Então fui até a casa de um amigo. Toquei a campanhia. Ninguém me atendeu. Resolvi pular o muro. Cai de cima do muro. Me esfolei todo. Que situação complicada! Um cachorro ficou me cheirando. Com muita dor me levantei e fui andando mancando para dentro da casa. O cachorro não parava de latir. Quando entrei na casa fiz muito barulho, mas parece que ninguém acordou. Fui cambaleando até a cozinha. Mechi em tudo, mas não encontrei merda alguma. Fui acordar alguém para perguntar onde eles guardam os ovos. Tentei de tudo para acordar a dona da casa. A mulher meio que acordava, meio que entendia o que eu estava dizendo, mas não acordou. No seu resmungar ela parecia de alguma forma indignada com fato de ter uma alma bêbada na sua casa tentando acorda-la depois de um dia de trabalho cansativo. Desisti. Eu tava com muita sede e vontade de ir ao banheiro. Fui até filtro. Abri, mas não saiu agua. Achei estranho então abaixei para olhar aquilo melhor. Senti um molhado nas minhas calças. Não! Não! Não! Acordei todo mijado!

domingo, maio 09, 2010

Trabalho no Céu

Aqui no céu a coisa anda corrida. Meu superior está me torrando de trabalho e não consigo descansar um dia direito. Relatórios e mais relatórios de almas que vêm chegando. Não sei para que registrar tantos detalhes. Quer dizer! Tem que registrar data de nascimento, causa da morte, país, religião, números diversos, última residência. É coisa demais. Religião? Que coisa mais antiquada. É até falta de educação ficar perguntando religião para alguém logo depois que ela morreu. E é tudo muito burocrático. Eu nunca entendi porque Deus criou tanta coisa. Ele é todo poderoso, etc e tal. Devia ter ficado de boa e não criado coisa nenhuma. Ou um monte de alma extremamente feliz que o amasse e que já nascesse no céu. Algo assim! No lugar disso ele fica criando esse monte de departamentos. Tudo parece tão sem sentido!

Estes dias atrás me mandaram para conversar com pessoas recém chegadas. É um saco! "Oi!" "Oi!" "Você sabe que você morreu, né?" "Sei, sim senhor!" "Legal! Eu entendo que você tem muitas dúvidas, mas não vou poder te responder tudo agora. Mais tarde você vai resolvendo suas questões metafísicas ou quaisquer outras. Aqui tem uns panfletos que eu gostaria que você lesse depois!" E fica aquele clima chato. Mas pior é quando aparece uns caras doidos pulando de felicidade como se tivesse ganho na loteria. Abraça a gente! A maioria chega mesmo é sem graça, tímido e assustando. Fica caladinho. Pega o panfleto e vai embora. Aposto que lê aquela bobagem uma dúzia de vezes.

Teve um tempo que eu estava encarregado de procurar almas penadas. É horrível! Se pelo menos eu fizesse trabalho de campo, mas não, eu tenho que ficar no computador analisando arquivos em busca de inconsistências. Queria mesmo ficar um tempo no mundo real. Fazer alguns milagres misteriosos ou algumas brincadeiras insólitas com os humanos. Seria divertido. Mas conseguir um visto para ir para o mundo tem sido complicadíssimo nestes dias. É um saco!

Precisavam fazer uma reforma geral no sistema. E o pior são estes santos que de santos tem nada. Só querem saber de dar ordens. Já enviei milhares de propostas para a administração. Nunca recebi resposta. Isto aqui é o inferno. Eles deviam mandar todos os calhordas para cá e deixar a gente curtir a vida mansa nos jardins do paraíso. Se eu fosse Deus eu faria as coisas muito diferentes. Eu tiraria o departamento de registro final. Deixaria só o de registro inicial. Também fundiria o departamento de análise de traumas metafísicos com o de registro de trauma geral. Isso pelo menos para começar. Na verdade seria preciso uma reforma completa. Com certeza se todos os anjos se reunissem nós conseguiríamos fazer uma coisa muito mais prática e menos burocrática. Teríamos um sistema muito mais eficiente ou eu não me chamo Lúcifer. Anjos unidos, jamais serão vencidos!

Quem

Quem vai chorar meu choro?
Para quem vou contar?
Com quem posso contar?
Tem alguém aí?
Alguém pra cantar meu choro?
Eu sinto tanta tanta vergonha!

sábado, maio 08, 2010

O Boteco do Seu Judair Juntório - Edição Especial

Sempre que eu me lembro dos meus 15 anos me lembro do Seu Judair. Nenhuma outra experiência me ensinou tanto. E foi lá que mais tarde sai pela primeira vez com Anastasia Sharapova, a ex-atriz pornô canhota da antiga União Soviética que deixou desfigurado para sempre o meu coração. Seu Judair era uma pessoa muito boa e um grande contador de causos. Na verdade, um grande orador. Trabalhei no boteco do Seu Judair Juntório por 3 anos, mas aprendi tanto que parece que vivi lá por décadas. A verdade é que ele me ensinou tudo que hoje sei sobre literatura. Apesar de não saber ler tinha uma vasta biblioteca e sempre me contava histórias sobre os escritores do velho continente. Foi no meio de uma dessas histórias que ele teve o enfarte fulminante que o matou.

Ele gostava de falar principalmente de Juskhrimalthins Waltherló, um escritor sueco que era apaixonado por uma tal de Shisnaldina Malstrathodia. Quando Shisnaldina Malstrathodia casou-se com Buzington de Fraquimalttins, Juskhrimalthins não aguentou e foi morar na Antartida. Juskhrimalthins Waltherló escreveu somente dois livros. Um de poesia intitulado A Sabedoria de um Vento que Poupa Rapisódias no Campo dos Passaros Quesentinos. E um romance intitulado Shasnaldini e Walter Não Conseguem Ficar Sentado Com Papoulas, uma clara crítica à Shisnaldina e seu casamento. Outro escritor que Seu Judair Juntório gostava muito, também sueco, era Walternisson Jurisley Jackson. Em homenagem a este ele batizou o filho com o mesmo nome. Walternisson era um grande boêmio e fumante de charuto. No final de sua vida tentou processar a empresa do tabaco pela sua doença sem muito sucesso. Junto com estes escritores havia muitos outros. Chisvaldin ou O Cantigador da Vidraça; Moltom, um dos maiores romancistas segundo Juntório; Trakinstur de Sapo, um escritor que nunca escreveu em sua língua natal; etc.

Mas naquela época eu fiz grande amizade foi com o bispo Timóteo. O boteco do seu Judair Juntório era frequentado por muitos artistas e intelectuais da região e assim conheci muita gente interessante. Timóteo era um grande leitor de filosofia medieval. Dizia sempre que todos os gênios eram excêntricos e que todo aquele que fosse verdadeiramente excêntrico era um grande gênio. Passou a vida toda tentando encontrar uma boa excentricidade que o tornaria um homem póstumo. Ficou tão decepcionado com sua postura pouco excêntrica que acabou se matando. Ele era doutor em física quântica e antes de se mudar para a cidade tinha sido chanceler da cátedra de João de Falassós e possuidor de uma ótima cadeira na universidade de Marúlia. A cadeira era muito bem posicionada. Ficava de frente à piscina. As tardes de sábado em Marúlia era regada a muita cerveja e churrasco dizia ele.

Havia outros caracteres interessantes no boteco do seu Judair Juntório. Falcúro tinha sido trapezista na Alemanha durante o regime nazista. Todo dia às sete da tarde aparecia com seu copo favorito. Pedia uma pinguinha e um ovo de conserva. Por mais que bebesse nunca caia, provavelmente por causa de sua formação como trapezista. Ofário era um bom artista. Esculpia de tudo com sabonete. Janoéte era o melhor escritor. Dizia que um homem para ser bom escritor tinha que desprezar a todos, principalmente seus amigos mais próximos. Ele era uma pessoa de difícil trato. Gostava de atirar pedaços de carne crua pela janela nos transeuntes que transeavam em frente a sua casa.

Quando fui embora foi um dia triste. Seu Judair Juntório chegou até mim e disse: "Olha aqui, meu minino! Quando a vida te dá uma porrada é bom você entender que é hora de se rebelar bonito, mas se a vida no lugar te dá uma oportunidade, daí tanto faz. O que eu quero dizer é que você deve ir na paz e nunca se esquecer do boteco do Seu Juntório. Que quando você precisar a gente vai tá aqui te esperando." Fiquei dois anos na cidade até que voltei em 70 para ver Timóteo que estava muito debilitado no final de sua vida. Cerca de um ano depois ele se matou. Hoje o que resta é olhar para trás com saudade e nunca se esquecer dessas pessoas incríveis da minha terra que agora já não estão entre nós.

Atacar!

Preparar, atacar. Querido leitor, há pessoas ruins neste mundo. Há pessoas podres, burras, sem graça e malvadas. Há pessoas que esperam boas palavras que afirmem a mentira super repetida que os fracos tanto acreditam. O Diabo, Deus, Cristo, a cruz, a alma, estas são minhas ferramentas, mas as uso ao inverso. Profano o que dizem ser sagrado. E faço isto por fé em outra coisa realmente sagrada e que não existe. Algo que não se diz. Algo que os religiosos bitolados nunca entenderiam, algo feito para os artistas e pelos artistas. Não para os macacos sem classe. E quando falo de classe, falo de classe de verdade. Não esse vestir dinheiro e falar calmo para dar segurança aos fracos. É esta fala mole o maior perigo. É o Diabo seduzindo a fim de comprar almas. E como as almas tem sido sugadas! A televisão, a faculdade, o trabalho, tudo quer um pouco da nossa alma. É preciso preserva-la. Alma é coisa rara. "Não acredito nesse Deus que o povo fala" é o que todos falam. E eu não acredito. E nunca acreditaria neste Deus energia força espécie grosso modo. É hora de atacar. Tem muita coisa errada. Muita coisa fudida!

quinta-feira, maio 06, 2010

Criação

Entre a vida e sonho me pus a descansar. Deus não gostou nenhum pouco, mas hoje eu sou mais eu. Calem-se vozes da minha cabeça. Hoje eu vou descansar e será uma festa! Não, não ligo se me trazerem problemas. Não tenho muitas exigências. Hoje sou forte e vencedor. Tudo dará certo. Mesmo porque tudo deu certo e tudo está certo. Hoje há amor, paixão e muita beleza no ar. As flores sacodem felizes. E não fujo do Mc. Donalds mais. Hoje sou cidadão. Sou a felicidade da terra. Não carrego um grama do fardo nas costas. Entre a vida e o sonho há muita loucura e muita sabedoria. As nuvens dizem bom dia. A lua, boa noite. E chove champanhe! E por isso agora agora me vou.

Vai. Fui. Cheguei. Como aqui é estranho! Tudo é amarelo. Dourado. Não sei o que pensar. O papagaio desmaiou. Não há ninguém com quem eu possa conversar . O chão sobe. Não para quieto. Caí de joelhos. Oh! Estou escorregando. O vento bate forte. Estou a 200 por hora. A mil por hora. Estou fora. Entortei e cai para fora do universo. Estou em algum lugar transitório entre o nada e o impossível. Nunca antes visitado. Perguntam se eu tenho nome. Digo que tanto faz. Hoje eu vim só para me divertir. Venci as leis. Bati os recordes. Sou o primeiro e último a compreender. Venci! As girafas cantam felizes. O monstro azul é meu filho. Já fui filho do tempo, mas agora sou pai de tudo. Seja feita minha vontade! Hoje eu criei o universo.

sexta-feira, abril 30, 2010

Artista

Você será artista
Modelador do tempo
E marujo das nuvens
Haverá amor e mal estar
Dirão que você não acredita em nada
Dirão que você é um romântico
Você será odiado pelos seus fãs
Pelos seus ídolos e seus amigos
Por ser honesto
Por se calar
Você terá ódio
Ficará sozinho
E será o maior dos homens
Um criador
Será Deus

quinta-feira, abril 29, 2010

Anastasia Sharapova

Foi no verão de 72 que a conheci. Ela era uma ex-atriz pornô canhota da antiga União Soviética. Tinha algo na sua forma de coçar as bochechas que me deixava louco. Talvez Anastasia Sharapova realmente tenha sido meu grande amor. Por um lado foi uma estória de amor, por outro foi também uma estória de perda e saudade.

Um dia eu estava na fila do sorvete e ela me perguntou as horas. "São duas para as três" respondi. Eu estava um pouco tenso e não consegui responder direito. Um dos meus porcos favoritos tinha morrido de uma doença rara e eu não conseguia tirar isso da minha cabeça. Aquele não era um dos meus melhores dias. Mais tarde a encontro novamente. A perguntei se era canhota. Ela respondeu que sim e me perguntou como eu tinha descoberto. Falei que tinha uma prima canhota e a sua forma de olhar para os lados me lembrava a dela. Ela riu. Eu a convidei para jantar.

A levei no boteco do seu Judair Juntório (eu não trabalhava mais lá naquela época). Pedi alguns ovos de conserva e duas buchadas. Conversamos por horas. Ela estava tão linda! Falamos sobre meus porcos. A sua tia gorda que tinha sido morta pisoteada por uma manda de elefantes em plena noite de natal. Perguntei se gostava de mim. E então fizemos amor por dias a fio até que o inevitável aconteceu.

Seu noivo que tinha acabado de chegar da Babilônia batia a porta. Ela atendeu e ao vê-lo ficou surpresa. Disse meio que gaguejando: "Meu bem, este é o Priori. Nós estamos a 3 dias tendo um tórrido caso de amor." A resposta foi enfática: "Tudo bem, mas acho que terei que te deixar." Ela soltou um grito de terror: "Não!!!" Ele bateu a porta, entrou em seu helicóptero e a certa altura saltou. Foi um suicídio horrível. Fiquei sete dias limpando os restos mortais do ex da mulher a qual estava apaixonado. Tive de usar diversos produtos, muitos ainda ilegais na época, mas felizmente no fim de uma semana tudo estava como antes. E ela sorria. Dizia que eu era um grande limpador. E que um dia nós teriamos um bela casinha com cerca branca no alto de uma cachoeira.

Uns dias depois Anastasia chegou estranha. Disse que precisariamos conversar, que não aguentava mais aquela situação, que tinha sonhos e que eu era um mesquinho. "Mas meu amor" tentei dizer em vão. "Nem mais um mas, nem um mais meio! Estou tendo um caso e é com seu melhor amigo!" Ela tinha falado sério. Ele era um grande amigo. Tinhamos servidos juntos no Vietnã. Eu inclusive salvara a vida do sujeito uma dúzia de vezes. E foi por el que, sem mais nem menos, ela voltou para o seu país.

Contudo cinco anos depois do nada apareceu novamente. Estava grávida e disse que o filho era meu. Olhei para ela e não aguentei. Tive de perdoá-la. Os cinco anos não foram suficientes para que eu a esquecesse. Tudo foi maravilhoso até a próxima tragédia. Deu até no jornal da época. Uma manada de girafas a pisoteou até a morte. A associação ao acidente de sua tia gorda era inevitável. Que triste destino. Fiquei deprimido por muito tempo. E limpar suas víscera do quintal era uma tarefa tão terrível quanto a limpar as vísceras de seu ex. E eu certamente teria me matado se não fosse pelo fato de que em meio a confusão um dos médicos que por sorte também era canhoto conseguira salvar Pedrinho, meu filho.

terça-feira, abril 27, 2010

Meu Personagem

Estou deprimido assim porque estou preocupado com um personagem do livro que estou escrevendo. Ele está muito mal e eu queria muito ajuda-lo, mas não sei o que posso fazer. Ele tem motivos para estar mal e parece não haver escapatória para sua história. Desde quando o criei tive muita simpatia por ele. É um personagem criativo, inteligente, divertido e muito humano. Tem uma dor e uma vontade de viver muito bonita e ao mesmo tempo muito real. Talvez colocar mais uma mulher em sua vida, uma mulher boa e bonita. Fazer ele se apaixonar. Mas acho que isto só o deixaria mais confuso e perdido. Talvez se eu matasse alguém próximo, criaria um meio dele chorar e descarregar o peito. Alguns anos depois deixar ele mais calmo, mais confiante. Mas para ser sincero acho que não daria certo. Talvez se eu o matasse em um ato heróico ele poderia sair redimido. O problema é que isto simplesmente desconsideraria o real problema dele. Que impasse! Não sei o que fazer. Está cada vez mais claro, não há saída.

domingo, abril 25, 2010

Estrela do Norte e Outras Lembranças

O texto aqui publicado onde eu tentava desmistificar por completo e explicar meus motivos sobre o caso Carlos teve efeito inesperado. Muitas pessoas que não conhecia do que se tratava ficaram seriamente instigadas. E se digo aquelas coisas de Carlos, grande parte também serve para o Felipe. Felipe sem dúvidas fez uma cirurgia. Ele ainda está se recuperando do trauma fisiológico. Não consegue piscar somente um olho e nem xingar uma pessoa sem ter alguns tiques desconcertantes com o pescoço. Para os últimos curiosos acho que devo contar a história da minha vida inteira. Ora, a vida inteira não há como contar, mas posso contar uma boa parte que agora me vem a memória.

Ai, ai! Bons tempos aqueles que iamos todos juntos para Estrela do Norte. Estrela do Norte fica ao norte do estado e como se não fosse o bastante ela sempre volta para formentar a saudade. Hehehe! Eramos pequenos e a vida inocente, se quiséssemos parar bastava levantar a mão e dizer: "Ô boi que leva a gente para os cantos curiosos do mundo, me espere devagar que a vida é curta e não temos por que chorar. Ô boi que descansa na pista da madeira não adiante o passo mais nenhum estante que estamos por quebrar esta toada. Ô boi que viaja na carredeira não diga que o diabo nós aguarda por que estamos próximos daquele tempo sem fim da nossa brincadeira." É bom lembrar de Estrela do Norte. Naquele tempo não havia nada disso. Não havia fogão, não havia chuveiro elétrico, não havia lareira e não havia "meio intelectual", nem ao menos havia Carlos.

Neste mundo não há somente um Carlos, existem vários Carlos. Cada um deles com seus sobrenomes e CPFs próprios. Se quando era pequeno ia para Estrela do Norte, brincar no Capim de Raiz, foi só mais velho, aos meus 9 anos que conheci o prostíbulo da Renatinha Pramoia Maravilha. Como eram boas aquelas noites de sexo sem camisinha com aquelas mulheres da vida, todas peludas, gordas e velhas. Era um sexo calmo, suado, de movimentos rápidos. Diferente dos paradoxais destes tempos. Quando o tio Toninho Casca de Pimenta da Caraíba me levou pela primeira vez ao puteiro da Maravilha foi um dia inesquecível. Ele me apresentou a Renatinha. "Renatinha, este aqui é meu sobrinho das bandas do Anápolis distraído. Arrume uma menina bonita para que ele possa meter e assim perder a sua virgindade. Arrume uma menina prendada e que faça um sexo gostoso." Fiquei sem graça ouvindo meu tio falar da minha virgindade de forma tão explícita. No outro dia nadei no grande Lago da Jabutica. Acho que ninguém tão feliz já nadou naquele imundaçal.

Já maior fui trabalhar no boteco do seu Judair Juntório. Ele me ensinou tudo que hoje sei sobre literatura. Apesar de não saber ler tinha uma vasta biblioteca e sempre me contava histórias sobre os escritores do velho continente. "No velho continente as coisas são bem distintas daqui. Uma vez um escritor que agora me esqueci o nome teve um caso ardente de amor com uma jovem imperatriz que era prometida para um médico da região. O imperador mandou então todas as pessoas da aldeia ficarem de pé e ele foi olhando uma por uma até chegar ao escritor. Então disse: 'Pão que...'" Foi ao meio desta história que o velho Judair Juntório teve seu primeiro enfarto. Até hoje me pergunto o que aquele imperador teria dito para o jovem escritor. Seria algo surpreendente que ligue a alma às estrelas do céu? Ou algo banal nada demais? Eu devia perguntar isso para ele.

O boteco do seu Judair Juntório era frequentado por muitos artistas e intelectuais da região. Fiz amizade naquele tempo o bispo Timóteo. Timóteo era um sujeito excêntrico. Passeava todo dia de manhã com seu cachorro azul. Mais tarde ia ao jardim atirar pedras nas arvores. E o resto da tarde passava lendo filosofia medieval. Ele era doutor em física quantica e antes de se mudar para a cidade tinha sido chanceler da cátedra de João de Falassós e possuidor de uma ótima cadeira na universidade de Marúlia. A cadeira era muito bem posicionada. Ficava de frente à piscina. As tardes de sábado em Marúlia era regada a muita cerveja e churrasco dizia ele.

Havia outros caracteres interessantes no boteco do seu Judair Juntório. Falcúro tinha sido trapezista na Alemanha durante o regime nazista. Gostava muito de tossir e tomar bebidas quentes. Ofário era um bom artista. Esculpia de tudo com sabonete. Janoéte era o melhor escritor. Dizia que um homem para ser bom escritor tinha que desprezar a todos, principalmente seus amigos mais próximos. Ele era uma pessoa de difícil trato. Gostava de atirar pedaços de carne crua pela janela nos transeuntes que transeavam em frente a sua casa. Acho que este texto já está deveras grande. Continuarei a contar minha história em outra publicação digital mais a frente. Falarei sobre minha viagem a Alemanha socialista, meu caso de amor com uma atriz pornô canhota da Antiga União Soviética e outras coisas. Até mais.

sábado, abril 24, 2010

O Cheiro do Ralo

As coisas fazem sentido. Certo? Não leia este texto se ainda não tiver assistido O Cheiro do Ralo. Em O Cheiro do Ralo Lourenço recebe sua energia da bunda, mas para ver a bunda é preciso comer o sanduíche da lanchonete onde a dona da bunda trabalha, o sanduíche vira merda e causa o odor ruim do ralo. Lourenço é o dono de loja que compra objetos usados, Lourenço é interpretado por Selton Mello, Selton Mello é produtor associado, o filme é baseado em um livro que se chama O Cheiro do Ralo, o autor do livro se chama Lourenço, o autor atua no filme como segurança da loja. No mundo só existem coisas, mas nós personificamos as coisas, criando assim deuses e amigos. Se você alimenta seu cachorro todos os dias, ele vai desenvolver um afeto por você. Ele vai gostar de você como se você fosse um fim em si, mas isto é uma tolice do cachorro, pois você não é um fim e sim um meio para conseguir comida. O cachorro personifica você, ele gosta de você, você é só uma coisa que leva comida, ele não sabe. Lourenço compra uma bunda e assim a coisifica. O que seria coisificar em excesso uma coisa? As coisas não deveriam ser de fato consideradas coisas? Deveria Lourenço personificar? É preciso um sistema que diferencie coisificar, personificar, deixar queto, nada ser, etc. As coisas só fazem sentido se estiverem em um arranjo. O cheiro do ralo vem do Lourenço por que ele usa o banheiro. É a merda que é uma merda. E o ralo é o portal do inferno. As coisas tem história, Deus criou o mundo, mas foi o homem que tornou o mundo confortável. O homem é o Deus do conforto. O lixo é bom. O homem criou o lixo para ocupar os desocupados, distrair esta gente toda. O homem que queria vender o relógio do professor Soran diz de forma dura ao sair sem realizar o negócio "se a oportunidade é desperdiçada a sorte cerra suas portas". O mesmo homem volta um tempo depois, Lourenço bate nele e o incrimina de assalto a mão armada. Seu sonho pela bunda é incoerente, mas mesmo assim ele o realiza. Pelo menos é o que parece. A vida é incoerente. A voz na secretária eletrônica é do Pereio. Este cheiro que você está sentido vem do ralo.

sexta-feira, abril 23, 2010

O Caso Carlos

Quando disse que a vida é uma fruta sem caroço que dá no Brooklyn criei grande rebuliço no meio intelectual. Meio que é saliente e descreditíssio, como sempre defendi. Por que descreditíssio? Ora, quando vemos algo que nos chama atenção, mas contra a maré se estende até a sua víncula mais profunda as crianças iriam rir. Claro! E se quando as pessoas viajassem com os filhos, que também são crianças, nas férias escolares de meio de ano todos começassem a chorar e competir para ver quem é o mais “único”? Quando me encontrei pela primeira vez dialogando com o meio intelectual fui obrigado a admitir, ali não se escovam dentes de cavalos, mas parece que Carlos não entendeu. Era uma perseverança medíocre.

A atenção nunca foi satisfatória em um consultório médico onde eu me tratava, mas continuava a ir sem medo, pois eu sabia que a vida tinha os seus subprodutos, coisa que muitos parecem negar em compreender. Rá! Se Carlos tivesse algo para me dizer que de alguma forma lhe “embrulhasse o estômago sem permitir a caneta estourar” eu precisaria ouvir. Carlos sempre foi uma pessoa que de bom grado ia à escola e que de bom grado a todos era querida e creditada como jovem, no sentido floriano da coisa. Chorei ao saber do desprezo pela Medina judaica de Minas Gerais, minhas mãos tremeram e fui obrigado a lhe enviar uma carta. Contudo depois de tanto tempo vejo que ainda sou recovoado em discordes sem o mínimo cabimento.

Admito penosamente, naquela escola a escolha era se comprometer e por isso digo ao “meio intelectual”: cansei! Cansei e acho que o mais justo seria que me deixassem em paz e que não venham até a minha casa com tochas e odor de enxofre, se me permitem a figura de linguagem. Estas pessoas a quem não nego insumos tem os corações ricos de sangue. E de sangue as suas quixotescas palavras são feitas e boas pessoas não deveriam acolher gente deste tipo em suas casas sem prévia autorização de um “sacerdote”. Rá! Será que já seria a hora de escovar os dentes dos cavalos e comer caviar de faca e colher? Claro que não! “Fodam-se!”

quinta-feira, abril 22, 2010

Eu

Sinto por vocês, mas não muito. Mesmo porque não sou triste. Não fico chorando por amores antigos. Amo alguém que me ama incondicionalmente e me faz muito feliz. Amo o jeito, o charme, o rosto. Eu me amo. Eu me completo e depois que me encontrei não consigo me imaginar longe de mim. Eu sou a pessoa mais linda e interessante deste mundo. Ficar comigo é ficar em paz. Não me poupo de carinhos e agrados. Canto Chico Buarque para mim, dou presentes, me levo ao cinema. Mas se você quer mesmo saber por que que eu fiquei comigo, eu digo que não sei. Se eu ainda tenho seu endereço ou me lembro de você, confesso que não perguntei. Sinto por vocês que hoje são tristes e espero que um dia possam encontrar uma pessoa como eu.

sexta-feira, abril 16, 2010

Feito

Esperamos ansiosos pela
Palavra do poeta
"Concordo plenamente
Com o que ainda não disse"
Parece que agora sim
Parece que disse
O que havia de ser dito
O que era para se dizer
O que se diz e disse
Para ser feliz
E acordar
E rir do e para o mundo
Agora vai
E eu vou
Ficar indo para voltar
Um dia ou dois
Parece que é só
E nunca é demais
Tudo bem se eu continuar...
Como é triste a conclusão

segunda-feira, abril 05, 2010

Mundo Mágico da Imaginação

E de repente percebi uma estranheza, senti uma estranheza no mundo. Algo estava mais errado do que de costume. Era como um sonho. Olhei para o lado e o dono do bar dizia, "você precisa ver os preços no super mercado. Homem de verdade não quer dizer que não sabe economizar. Na verdade economizar é másculo." Bebi um gole de cerveja, ela desceu absurdamente gelada, estava deliciosa. Eu disse: "Esta cerveja está deliciosa, não está?". "É sim. Mas a minha está muito quente!" Sem entender perguntei: "Sério? A minha está bem geladinhoza!" Ele: "Sério, tá quente demais, eu nunca vi uma cerveja tão quente na minha vida.". Olhei para a cerveja e ela começou a evaporar. Ouvi um riso desesperado. Era o dono do bar. Ele estava batendo nas minhas costas e dizendo: "Você é um cara legal. A cerveja tem que ser gelada pra caralho para ficar bom mesmo."

O dono do bar usava um sombreiro. E a estranhaza apareceu. Percebi de vez. Aquilo era um mundo estranho, maluco. Perguntei para o dono do bar: "O que este mundo tem? Ele é maluco!". Ele respondeu: "Sim, é um mundo muito maluco, tudo começou com a invasão. Você deve lembrar, era tempo de plantar couve! O rei mandou prender todo mundo e ninguém nunca mais foi o mesmo. E o mesmo nunca mais foi outro, nem o outro foi alguém." Eu: "Mas por que este mundo é estranho e maluco?" Ele: "O mundo é louco porque o rei mandou prender todos os magos e então os loucos ficaram malucos e se rebelaram por causa da indiferença real. "

Acordei suado! Olhei para o lado e havia um coelho gigante. Entendi que estava sonhando e que talvez nunca mais acordaria. Fiquei com muito medo. O quarto era escuro e o coelho mexia o bigode. Ele foi chegando perto de mim. Começou a me cheirar. Eu estava com muito medo. Me deu uma mordida arrancando fora o meu braço. Segurei a dor e não gritei. Chovia muito e não sabia para onde ir. Tentei abrir a porta. A chave não funcionava. Era impossível. Em agonia tentava acordar, acordar, acordar. Gritei: "Magooooo!!!!" Apareceu um mago com uma longa barba branca, seu rosto era muito parecido com o do dono do bar, mas eu nem reparei. O Mago bateu muito no coelho. Jogou o coelho em um prédio, depois arrancou a cabeça dele fora.

"Mago, este mundo é estranho! Eu quero voltar para casa!" O mago riu sem remorso! "Este mundo é louco e estranho, mas você sempre viveu nele e ele é o único mundo que existe." Eu: "Você jura? Me ajuda a ser feliz!" "Ninguém pode te ajudar, você é muito esperto e inteligente." "Eu sei. Eu consigo sentir agora!" Então voei para dentro do vulcão onde eu costumava brincar quando era criança. Meus amigos estavam lá. Um me deu uma cerveja e voltou a dançar. Fiquei bastante alegre e pensei: "Este mundo ainda está estranho. O velho mago me enganou!" Os passarinhos cantavam Macarena e todo mundo dançava feliz. Tinha um casal de amigos meus que estavam muito bêbados. Eu beijei a garota. O cara disse: "Cara, você pode voar! Eu vi com os meus olhos que a terra um dia há de comer." "Sim, você viu! Mas não conte para ninguém, a Interpol pode querer me matar!"

Esqueci o estranhamento e voltei para a vida anormal e maluca, estranha. Não tente entender ao pé da letra. Pois você pode acabar com danos no cérebro nervoso da cabeça ligado ao celeste. Não há um bom final para este texto. Eu sinto muito. Tenho que muito que fazer, a conjuntura política atual me traz muitas preocupações. A vida é assim. Vocês sabem. Eu não preciso explicar, a coisa fala por si própria.

O Abismo

O abismo olha para o poeta
O escritor já abandonara o amor e o coração
E agora admira o abismo
Usa e abusa do abismo
O abismo
O abismo...
O mundo é um abismo
Entre o chão e o céu
A vida é um abismo
Entre o mar e o porrete
O homem é um abismo
Que escuta música ruim
A bicicleta é um abismo
O abismo é um olho verde e infinito
O abismo é algo
Que é fundo, mas tem fundo
É uma ponte
Que tenta correr para um incrível lugar nenhum
Mas sempre se esbarra
No escritor
Do abismo

segunda-feira, março 29, 2010

Brooklyn

A vida é uma fruta sem caroço
que dá no Brooklyn.
E onde quer que ela vá,
leva consigo um pequeno amuleto,
uma cicatriz de quando era insana.

O vendo a uivar a estupidez humana
pensa em si como um alguém e
as vezes até chora escondido.
Oh, querida! Não me abandone assim!

O poço sem fim do medo das pessoas,
a vida sem direção pregada na janela,
a respiração ofegante do mago,
a pia da vizinha que sorri aos soluços e
a indigestão passageira de um dia fortuito,

tudo isto se respeita sabendo do odor
que corrompe as coisas.
Presença que chora aos socos.

E o cego a beira da calçada
se pergunta:
Por que?
Por que?

Fodam-se! Que se explodam
todos os deuses!
Que venha a modernidade
e traga dor e chuva de sapos!

Que venha o respeito!
Que venha a vingança
de um metafísico e tetraplégico!

Porque se perguntarem,
eu estarei aqui
sentado e lendo

um conto maluco
de alguém que matei.

Viva! Viva!!
O respeito que as pessoas
têm por mim e não deveriam ter.

Viva!! E fodam-se
como bichas telepáticas
em arco-íris cor-de-rosa
pelas brechas do coração!
Que venha a calma
e traga o tédio em sul de ser dor!
Que morram seus entes!
Que te provem a sua insignificância
e me deixe sofrer minha loucura
como quem não sabe o quanto
isto lhe faz mal.
Oh, minha princesa!
O que lhe fiz para me tratar assim?

Que seja! Que tenha!
Que caia do alto do edifício
a lógica sem pára-quedas
e se despedace em nuvens ocultas
da mente difusa
escalada longa
prisma honroso
boceta vulgar

A vida vai em vem
pelas ruas do Brooklyn!

quarta-feira, março 24, 2010

Se fosse possível

Se fosse possível
Dormir e
Descansar para sempre
Se fosse possível
Tomar um banho
E ficar realmente limpo
Chorar
E fazer vingança
Comer e se saciar
Está escrito em todos os livros
A morte não é o fim
Eis um mundo feito de desejo
A beleza
A dor
Está aí
Em todo canto
Feliz quem não viu
Talvez eu vivi
Muito tempo atrás
E agora fico a vagar
Sem lembranças do quanto fui feliz

Talvez o mundo não seja feito de palavras
Mas de amor
Talvez eu esteja errado
Mas não estou

quarta-feira, março 03, 2010

Um Mundo Impossível

Existe um mundo
de encantos onde
a solidão é tremenda.
Há um mar de maravilhas,
milhares a navegar.

Ninguém é feliz,
muitos se afogam.
As ilhas não são seguras.
Na floresta sem nome
o diabo caminha apressado.

Deus está
ranzinza e cansado,
fuma o tempo inteiro.
As nuvens dizem que lá é o ceu.
As paredes não param de falar.

Há um barco soltando fumaça.
Uma criança chora
como se pedisse esperança,
um mundo melhor.
Gritos!
Tentativas frustradas de
acordar de um falso pesadelo.
Muita gente diz que a vida é bela.
Outros que tanto faz.
Ninguém tem razão.
E a leveza se leva...
É impossível.

É um mundo seco e colorido.
A vida vai.
Todos querem se ajudar,
ninguém se ajuda.
Desista, é impossível.

Há uma vela,
o vento sopra forte.
As arvores pensam em voar.
Os homens não entendem
de música como
os pássaros e as baleias.
Há um cigarro
Lembre-se, tudo é impossível.

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Churrasco na Casa do Nada

Dia desses estava passeando pelo tão falado mundo mágico da imaginação quando de repente me deparo com o Nada. O Nada dava um churrasco e tomava cerveja com alguns amigos. Toquei a campanhia, ninguém apareceu. Liguei no celular da Guerra, a Guerra falou que ia abrir o portão para mim. Não era muita gente, a Morte tava lá, cuidava da churrasqueira e servia. Tinha muita carne, muita cerveja.

Senti que algo estava errado quando olhei para a Peste. Ela parecia cansada. Disse para ela que ela parecia cansada, ela me respondeu que tinha dormido só 2 horas a noite, que no dia anterior ela e o pessoal tinha tomado cerveja até 4 horas e cedo ela teve que trabalhar. A Peste não é tão assustadora quanto muitas pessoas pensam. Na verdade ela é bastante tranquila, o Nada também é tranquilo, se você for comparar. Casca grossa mesmo é a Morte. Se vocês acham que a Vida não é flor que se cheire, é porque vocês não conheceram a morte, a Morte te devora por inteiro, até não sobrar um ossinho. A Guerra também é de boa, às vezes faz uma brincadeira inconveniente, mas nada demais.

Fiquei encucado mesmo foi com o Nada! Perguntei o que ele fazia. Ele respondeu que tinha tirado um tempo para si. Perguntei que tipo de musica ele gostava. Ele falou que não escutava muita musica, mas podia se dizer que ele era eclético. Eclético? Como alguém pode dizer isto? Era muito estranho! Tudo bem, pensei, não tenho a ver com a vida do cara... Depois conversando com a Peste sobre o Nada que eu fui sacar, o cara é um idiota, burro, a cabeça dele é totalmente oca. Pode parecer coisa boba, mas isso mexeu comigo, eu nunca tinha tido esta visão dele. Acho que a maioria das pessoas não percebem isto também. É porque ele é caladão, não fala nunca, então as pessoas pensam que ele é uma espécie de deus do mal super poderoso e super inteligente.

A Vida passou por lá também, ficou um bom tempo, mas foi embora antes do resto. Ela é engraçada, bebe pra caralho, nunca vi daquele tanto! Chegou de boa, tomou um copão d'agua. Começou a tomar cerveja, depois umas caipirinhas e voltou para a cerveja, então começou a falar bobagem, ria alto. Ficou alugando uma menina, ela tinha uns 18, 19 anos, gatíssima. A menina não tava afim dele, mas achava graça. Uma hora ele pede licença para ir no banheiro. Vai no banheiro e agente lá de fora começa a ouvir o barulho. O cara tava vomitando. Agente morria de rir. Passou um tempinho, ele saiu, abriu uma cerveja e se serviu como se nada tivesse acontecido. Cara engraçado, só que ele não te deixa em paz um minuto, muitas vezes ele é chato, dai as pessoas pensam coisas horríveis dele. Grande parte é verdade, mas tem uma boa parte que não é também.

No outro dia acordei com uma ressaca desgraçada. Minha cabeça parecia que ia explodir. Tomei banho, bebi agua, remédio, e liguei para a Guerra. Perguntei quem era a menina que estava conversando com a Vida. Ele não quis dizer, falou que ela era uma destas coisas da Vida, bela e passageira. Acho que ele estava me escondendo algo. Tudo bem! Nunca se pode saber de tudo. Outro dia vou perguntar para a Guerra se ela tem o telefone do Nunca ou do Tudo, acho que seria interessante tomar uma com eles. Que povo doido! Acho que vou para o bar da tia agora, falou!

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

BUZZ

Gostei desse tal "buzz" no gmail (www.google.com/profiles/leonardopriori#buzz). Tenho usado bastante o twitter (twitter.com/priori). Algumas coisas do google têm me impressionado. Legal este editar grupos do orkut, nele o orkut tenta adivinhar grupos sociais baseado nas amizades e nas comunidades que amigos participam. O que me lembra o picasa identificando rostos, não só o local do rosto como no orkut, mas identificando de quem pertence aquele rosto. Depois vale dar uma olhada nesta busca visual (image-swirl.googlelabs.com) e nesta busca social. (www.youtube.com/watch?v=ZqWJxgp-_mU).

Tudo indica que a tendência são estas ferramentas se ligarem e comunicarem entre si cada vez mais. E parece que ainda há espaço para novos mídias sociais (youtube, orkut, twitter). Muitos programas e sites estão focando no trabalho de ligar todas estas ferramentas. Tenho visto e testado vários, tem este digsby, não me agradou muito. Na verdade nenhum que encontrei me agradou muito. O mais interessante talvez seja um projeto da mozilla chamado raindrop, mas temo que ele fique por um bom tempo só no projeto (e na versão alfa).

Imagino que em algumas décadas estas ferramentas terão o poder de interagir com o governo, mesmo porque a eleição nos moldes atuais que caracterizam nossa democracia possui muitos problemas. A massa, como todos nós sabemos, é medíocre. Por outro lado temos ferramentas como a wikipédia que apesar de ter muito o que melhorar em seu sistema de hierarquia de usuários e moderação e edição de conteúdo, parece ser menos corrupta que a política nacional. E temos a busca do google que mostra uma inteligência gigantesca na ordenação de conteúdos. Tarefa complicadíssima.

Claro que estamos todos amedrontados com estas mudanças. Mas é preciso entender que nosso modo de vida vai mudar, que vamos ser cada dia mais dependentes deste deus Internet. Assim como a indústria está sem saber o que fazer com a pirataria, as pessoas estão maravilhadas, mas ainda assim, temendo e se culpando por tudo isso.

A verdade é que a pirataria veio para ficar e nem deve ser chamada de pirataria, atitude que deprecia o que na verdade é compartilhamento. Não se está fingindo que é outro produto, as pessoas que utilizam de pirataria sabem que estão utilizando produtos piratas e nem há furto de nada material. Não que isto seja um grande problema. Hollywood continua fazendo seus grandes filmes. Os verdadeiros prejudicados foram os magnatas. Certamente atrapalhou um pouco os bons artistas, mas por outro lado temos esta maravilha que é a facilidade de acesso à cultura. Inclusive os "bons artistas" que conheço fazem bastante uso dessa pirataria.

Há algum tempo atrás, quando falávamos sobre "web 2.0" a coisa parecia muito menor. Mesmo porque agora me parece melhor utilizar termos como "internet social", "fenômeno das redes sociais" ou "midia social" do que o desgastado "web 2.0". Uma vez vi um documentário sobre o assunto, se chama Us Now. Também é legal buscar informações sobre Tim O'Reilly o "criador" do termo web 2.0. Na verdade parece que foi o amigo dele que criou o termo, mas tanto faz.

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Nota de Vinte

Imagem por snipmint
A vida é bastante estranha, bastante falsa, não sei, não restam dúvidas. Muito falsa, mais falsa do que nota de vinte, eu diria. As coisas parecem estar fora do lugar. Meu quarto é um exemplo, ele é totalmente confuso e bagunçado, para se ter uma idéia, ele está sem luz desde o final do ano passado e por isso uso uma lanterna, nunca sei bem onde deixei a lanterna, eu faço de tudo para não a perder, mas é difícil. As coisas costumam fugir, se esconder, uma vez roubaram um quadro daqui de casa, deve ter demorado um tempo para que percebessemos a falta do quadro, o quadro era feito de dinheiro. É estranho! Tenho 25 anos, moro em 2010, cidade pequena, não consigo dinheiro para comprar meu carro voador, fico navegando pela rede mundial de computadores. Eu diria que é uma época de tecnologia, descobertas, temos remédio para dormir, remédios para acordar, para se concentrar, para não ficar triste e muita bebida para passar o tempo livre com os amigos. Temos as telas de LCD, os comunicadores portáteis, mas confesso, o essencial é igual, as pessoas continuam a morrer e a acreditar em histórias malucas. A escola é algo bem estranho, quer dizer, obrigamos crianças a ouvir por vários anos pessoas designadas a ensinar coisas como o que é uma membrana plasmática, o que é uma molécula de cadeia aberta. No final não há uma boa justificativa lógica para quando se deve usar "s" e quando se deve usar "z". As pessoas andam bastante chateadas com o nazismo e com o calor dos últimos dias, eu não entendo para que tanta frustração com isto, temos este problema tão maior, a morte. Apesar de raras pessoas acreditarem que vamos morrer e que assim nossas vidas chegarão realmente em um fim, tudo indica que isto acontecerá com todos, não têm escapatória, nem adiantaria ficar pensando suicídio. É estranho, a vida é particularmente estranha, tenho que te dizer.

sábado, janeiro 16, 2010

Filmes

Filmes ensinam muito sobre a vida. Porque os filmes fazem sentido, mesmo quando falam sobre a falta de sentido do mundo, eles colocam a falta de sentido como algo plausível. E só com a vida sendo plausível, ela pode ser plausível. Não é coerente negar a razão e a lógica, negar a importância da coerência. E não se fala e muito menos se faz filmes sem sentido algum. Claro que não demonstra sentido a chuva, o vento, os sons, os atomos, e de certa forma, no final, é, quem queremos enganar?, não há sentido em nada.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Não Sei

Não sei o que aconteceu, o que eu falei, se eu morri.

sexta-feira, janeiro 01, 2010

Não é Real

A realidade não é real, disso não restam dúvidas, nenhuma. A realidade corta agente com faca, facas de faz de conta. Eu me pergunto, eu vou morrer? Eu sei a resposta, eu não vou morrer, sendo a realidade real ou não. A pergunta continua no ar, a resposta é mais rápida que a pergunta, eu não vou morrer. De onde vim? Eu nasci? A pergunta é lenta, muito lenta, a resposta é rápida, eu não vou morrer, eu sou, eu sou. O que sou? A pergunta é lenta, não há resposta, nenhuma, a realidade não é real, custe o que custar, não há escapatória, estou fadado à eternidade, eu não vou morrer. Perguntas no presente, esperança de respostas. A resposta é rápida, a resposta é real.