Desventuras insólitas e sei lá...

segunda-feira, março 29, 2010

Brooklyn

A vida é uma fruta sem caroço
que dá no Brooklyn.
E onde quer que ela vá,
leva consigo um pequeno amuleto,
uma cicatriz de quando era insana.

O vendo a uivar a estupidez humana
pensa em si como um alguém e
as vezes até chora escondido.
Oh, querida! Não me abandone assim!

O poço sem fim do medo das pessoas,
a vida sem direção pregada na janela,
a respiração ofegante do mago,
a pia da vizinha que sorri aos soluços e
a indigestão passageira de um dia fortuito,

tudo isto se respeita sabendo do odor
que corrompe as coisas.
Presença que chora aos socos.

E o cego a beira da calçada
se pergunta:
Por que?
Por que?

Fodam-se! Que se explodam
todos os deuses!
Que venha a modernidade
e traga dor e chuva de sapos!

Que venha o respeito!
Que venha a vingança
de um metafísico e tetraplégico!

Porque se perguntarem,
eu estarei aqui
sentado e lendo

um conto maluco
de alguém que matei.

Viva! Viva!!
O respeito que as pessoas
têm por mim e não deveriam ter.

Viva!! E fodam-se
como bichas telepáticas
em arco-íris cor-de-rosa
pelas brechas do coração!
Que venha a calma
e traga o tédio em sul de ser dor!
Que morram seus entes!
Que te provem a sua insignificância
e me deixe sofrer minha loucura
como quem não sabe o quanto
isto lhe faz mal.
Oh, minha princesa!
O que lhe fiz para me tratar assim?

Que seja! Que tenha!
Que caia do alto do edifício
a lógica sem pára-quedas
e se despedace em nuvens ocultas
da mente difusa
escalada longa
prisma honroso
boceta vulgar

A vida vai em vem
pelas ruas do Brooklyn!

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