Desventuras insólitas e sei lá...

sexta-feira, abril 30, 2010

Artista

Você será artista
Modelador do tempo
E marujo das nuvens
Haverá amor e mal estar
Dirão que você não acredita em nada
Dirão que você é um romântico
Você será odiado pelos seus fãs
Pelos seus ídolos e seus amigos
Por ser honesto
Por se calar
Você terá ódio
Ficará sozinho
E será o maior dos homens
Um criador
Será Deus

quinta-feira, abril 29, 2010

Anastasia Sharapova

Foi no verão de 72 que a conheci. Ela era uma ex-atriz pornô canhota da antiga União Soviética. Tinha algo na sua forma de coçar as bochechas que me deixava louco. Talvez Anastasia Sharapova realmente tenha sido meu grande amor. Por um lado foi uma estória de amor, por outro foi também uma estória de perda e saudade.

Um dia eu estava na fila do sorvete e ela me perguntou as horas. "São duas para as três" respondi. Eu estava um pouco tenso e não consegui responder direito. Um dos meus porcos favoritos tinha morrido de uma doença rara e eu não conseguia tirar isso da minha cabeça. Aquele não era um dos meus melhores dias. Mais tarde a encontro novamente. A perguntei se era canhota. Ela respondeu que sim e me perguntou como eu tinha descoberto. Falei que tinha uma prima canhota e a sua forma de olhar para os lados me lembrava a dela. Ela riu. Eu a convidei para jantar.

A levei no boteco do seu Judair Juntório (eu não trabalhava mais lá naquela época). Pedi alguns ovos de conserva e duas buchadas. Conversamos por horas. Ela estava tão linda! Falamos sobre meus porcos. A sua tia gorda que tinha sido morta pisoteada por uma manda de elefantes em plena noite de natal. Perguntei se gostava de mim. E então fizemos amor por dias a fio até que o inevitável aconteceu.

Seu noivo que tinha acabado de chegar da Babilônia batia a porta. Ela atendeu e ao vê-lo ficou surpresa. Disse meio que gaguejando: "Meu bem, este é o Priori. Nós estamos a 3 dias tendo um tórrido caso de amor." A resposta foi enfática: "Tudo bem, mas acho que terei que te deixar." Ela soltou um grito de terror: "Não!!!" Ele bateu a porta, entrou em seu helicóptero e a certa altura saltou. Foi um suicídio horrível. Fiquei sete dias limpando os restos mortais do ex da mulher a qual estava apaixonado. Tive de usar diversos produtos, muitos ainda ilegais na época, mas felizmente no fim de uma semana tudo estava como antes. E ela sorria. Dizia que eu era um grande limpador. E que um dia nós teriamos um bela casinha com cerca branca no alto de uma cachoeira.

Uns dias depois Anastasia chegou estranha. Disse que precisariamos conversar, que não aguentava mais aquela situação, que tinha sonhos e que eu era um mesquinho. "Mas meu amor" tentei dizer em vão. "Nem mais um mas, nem um mais meio! Estou tendo um caso e é com seu melhor amigo!" Ela tinha falado sério. Ele era um grande amigo. Tinhamos servidos juntos no Vietnã. Eu inclusive salvara a vida do sujeito uma dúzia de vezes. E foi por el que, sem mais nem menos, ela voltou para o seu país.

Contudo cinco anos depois do nada apareceu novamente. Estava grávida e disse que o filho era meu. Olhei para ela e não aguentei. Tive de perdoá-la. Os cinco anos não foram suficientes para que eu a esquecesse. Tudo foi maravilhoso até a próxima tragédia. Deu até no jornal da época. Uma manada de girafas a pisoteou até a morte. A associação ao acidente de sua tia gorda era inevitável. Que triste destino. Fiquei deprimido por muito tempo. E limpar suas víscera do quintal era uma tarefa tão terrível quanto a limpar as vísceras de seu ex. E eu certamente teria me matado se não fosse pelo fato de que em meio a confusão um dos médicos que por sorte também era canhoto conseguira salvar Pedrinho, meu filho.

terça-feira, abril 27, 2010

Meu Personagem

Estou deprimido assim porque estou preocupado com um personagem do livro que estou escrevendo. Ele está muito mal e eu queria muito ajuda-lo, mas não sei o que posso fazer. Ele tem motivos para estar mal e parece não haver escapatória para sua história. Desde quando o criei tive muita simpatia por ele. É um personagem criativo, inteligente, divertido e muito humano. Tem uma dor e uma vontade de viver muito bonita e ao mesmo tempo muito real. Talvez colocar mais uma mulher em sua vida, uma mulher boa e bonita. Fazer ele se apaixonar. Mas acho que isto só o deixaria mais confuso e perdido. Talvez se eu matasse alguém próximo, criaria um meio dele chorar e descarregar o peito. Alguns anos depois deixar ele mais calmo, mais confiante. Mas para ser sincero acho que não daria certo. Talvez se eu o matasse em um ato heróico ele poderia sair redimido. O problema é que isto simplesmente desconsideraria o real problema dele. Que impasse! Não sei o que fazer. Está cada vez mais claro, não há saída.

domingo, abril 25, 2010

Estrela do Norte e Outras Lembranças

O texto aqui publicado onde eu tentava desmistificar por completo e explicar meus motivos sobre o caso Carlos teve efeito inesperado. Muitas pessoas que não conhecia do que se tratava ficaram seriamente instigadas. E se digo aquelas coisas de Carlos, grande parte também serve para o Felipe. Felipe sem dúvidas fez uma cirurgia. Ele ainda está se recuperando do trauma fisiológico. Não consegue piscar somente um olho e nem xingar uma pessoa sem ter alguns tiques desconcertantes com o pescoço. Para os últimos curiosos acho que devo contar a história da minha vida inteira. Ora, a vida inteira não há como contar, mas posso contar uma boa parte que agora me vem a memória.

Ai, ai! Bons tempos aqueles que iamos todos juntos para Estrela do Norte. Estrela do Norte fica ao norte do estado e como se não fosse o bastante ela sempre volta para formentar a saudade. Hehehe! Eramos pequenos e a vida inocente, se quiséssemos parar bastava levantar a mão e dizer: "Ô boi que leva a gente para os cantos curiosos do mundo, me espere devagar que a vida é curta e não temos por que chorar. Ô boi que descansa na pista da madeira não adiante o passo mais nenhum estante que estamos por quebrar esta toada. Ô boi que viaja na carredeira não diga que o diabo nós aguarda por que estamos próximos daquele tempo sem fim da nossa brincadeira." É bom lembrar de Estrela do Norte. Naquele tempo não havia nada disso. Não havia fogão, não havia chuveiro elétrico, não havia lareira e não havia "meio intelectual", nem ao menos havia Carlos.

Neste mundo não há somente um Carlos, existem vários Carlos. Cada um deles com seus sobrenomes e CPFs próprios. Se quando era pequeno ia para Estrela do Norte, brincar no Capim de Raiz, foi só mais velho, aos meus 9 anos que conheci o prostíbulo da Renatinha Pramoia Maravilha. Como eram boas aquelas noites de sexo sem camisinha com aquelas mulheres da vida, todas peludas, gordas e velhas. Era um sexo calmo, suado, de movimentos rápidos. Diferente dos paradoxais destes tempos. Quando o tio Toninho Casca de Pimenta da Caraíba me levou pela primeira vez ao puteiro da Maravilha foi um dia inesquecível. Ele me apresentou a Renatinha. "Renatinha, este aqui é meu sobrinho das bandas do Anápolis distraído. Arrume uma menina bonita para que ele possa meter e assim perder a sua virgindade. Arrume uma menina prendada e que faça um sexo gostoso." Fiquei sem graça ouvindo meu tio falar da minha virgindade de forma tão explícita. No outro dia nadei no grande Lago da Jabutica. Acho que ninguém tão feliz já nadou naquele imundaçal.

Já maior fui trabalhar no boteco do seu Judair Juntório. Ele me ensinou tudo que hoje sei sobre literatura. Apesar de não saber ler tinha uma vasta biblioteca e sempre me contava histórias sobre os escritores do velho continente. "No velho continente as coisas são bem distintas daqui. Uma vez um escritor que agora me esqueci o nome teve um caso ardente de amor com uma jovem imperatriz que era prometida para um médico da região. O imperador mandou então todas as pessoas da aldeia ficarem de pé e ele foi olhando uma por uma até chegar ao escritor. Então disse: 'Pão que...'" Foi ao meio desta história que o velho Judair Juntório teve seu primeiro enfarto. Até hoje me pergunto o que aquele imperador teria dito para o jovem escritor. Seria algo surpreendente que ligue a alma às estrelas do céu? Ou algo banal nada demais? Eu devia perguntar isso para ele.

O boteco do seu Judair Juntório era frequentado por muitos artistas e intelectuais da região. Fiz amizade naquele tempo o bispo Timóteo. Timóteo era um sujeito excêntrico. Passeava todo dia de manhã com seu cachorro azul. Mais tarde ia ao jardim atirar pedras nas arvores. E o resto da tarde passava lendo filosofia medieval. Ele era doutor em física quantica e antes de se mudar para a cidade tinha sido chanceler da cátedra de João de Falassós e possuidor de uma ótima cadeira na universidade de Marúlia. A cadeira era muito bem posicionada. Ficava de frente à piscina. As tardes de sábado em Marúlia era regada a muita cerveja e churrasco dizia ele.

Havia outros caracteres interessantes no boteco do seu Judair Juntório. Falcúro tinha sido trapezista na Alemanha durante o regime nazista. Gostava muito de tossir e tomar bebidas quentes. Ofário era um bom artista. Esculpia de tudo com sabonete. Janoéte era o melhor escritor. Dizia que um homem para ser bom escritor tinha que desprezar a todos, principalmente seus amigos mais próximos. Ele era uma pessoa de difícil trato. Gostava de atirar pedaços de carne crua pela janela nos transeuntes que transeavam em frente a sua casa. Acho que este texto já está deveras grande. Continuarei a contar minha história em outra publicação digital mais a frente. Falarei sobre minha viagem a Alemanha socialista, meu caso de amor com uma atriz pornô canhota da Antiga União Soviética e outras coisas. Até mais.

sábado, abril 24, 2010

O Cheiro do Ralo

As coisas fazem sentido. Certo? Não leia este texto se ainda não tiver assistido O Cheiro do Ralo. Em O Cheiro do Ralo Lourenço recebe sua energia da bunda, mas para ver a bunda é preciso comer o sanduíche da lanchonete onde a dona da bunda trabalha, o sanduíche vira merda e causa o odor ruim do ralo. Lourenço é o dono de loja que compra objetos usados, Lourenço é interpretado por Selton Mello, Selton Mello é produtor associado, o filme é baseado em um livro que se chama O Cheiro do Ralo, o autor do livro se chama Lourenço, o autor atua no filme como segurança da loja. No mundo só existem coisas, mas nós personificamos as coisas, criando assim deuses e amigos. Se você alimenta seu cachorro todos os dias, ele vai desenvolver um afeto por você. Ele vai gostar de você como se você fosse um fim em si, mas isto é uma tolice do cachorro, pois você não é um fim e sim um meio para conseguir comida. O cachorro personifica você, ele gosta de você, você é só uma coisa que leva comida, ele não sabe. Lourenço compra uma bunda e assim a coisifica. O que seria coisificar em excesso uma coisa? As coisas não deveriam ser de fato consideradas coisas? Deveria Lourenço personificar? É preciso um sistema que diferencie coisificar, personificar, deixar queto, nada ser, etc. As coisas só fazem sentido se estiverem em um arranjo. O cheiro do ralo vem do Lourenço por que ele usa o banheiro. É a merda que é uma merda. E o ralo é o portal do inferno. As coisas tem história, Deus criou o mundo, mas foi o homem que tornou o mundo confortável. O homem é o Deus do conforto. O lixo é bom. O homem criou o lixo para ocupar os desocupados, distrair esta gente toda. O homem que queria vender o relógio do professor Soran diz de forma dura ao sair sem realizar o negócio "se a oportunidade é desperdiçada a sorte cerra suas portas". O mesmo homem volta um tempo depois, Lourenço bate nele e o incrimina de assalto a mão armada. Seu sonho pela bunda é incoerente, mas mesmo assim ele o realiza. Pelo menos é o que parece. A vida é incoerente. A voz na secretária eletrônica é do Pereio. Este cheiro que você está sentido vem do ralo.

sexta-feira, abril 23, 2010

O Caso Carlos

Quando disse que a vida é uma fruta sem caroço que dá no Brooklyn criei grande rebuliço no meio intelectual. Meio que é saliente e descreditíssio, como sempre defendi. Por que descreditíssio? Ora, quando vemos algo que nos chama atenção, mas contra a maré se estende até a sua víncula mais profunda as crianças iriam rir. Claro! E se quando as pessoas viajassem com os filhos, que também são crianças, nas férias escolares de meio de ano todos começassem a chorar e competir para ver quem é o mais “único”? Quando me encontrei pela primeira vez dialogando com o meio intelectual fui obrigado a admitir, ali não se escovam dentes de cavalos, mas parece que Carlos não entendeu. Era uma perseverança medíocre.

A atenção nunca foi satisfatória em um consultório médico onde eu me tratava, mas continuava a ir sem medo, pois eu sabia que a vida tinha os seus subprodutos, coisa que muitos parecem negar em compreender. Rá! Se Carlos tivesse algo para me dizer que de alguma forma lhe “embrulhasse o estômago sem permitir a caneta estourar” eu precisaria ouvir. Carlos sempre foi uma pessoa que de bom grado ia à escola e que de bom grado a todos era querida e creditada como jovem, no sentido floriano da coisa. Chorei ao saber do desprezo pela Medina judaica de Minas Gerais, minhas mãos tremeram e fui obrigado a lhe enviar uma carta. Contudo depois de tanto tempo vejo que ainda sou recovoado em discordes sem o mínimo cabimento.

Admito penosamente, naquela escola a escolha era se comprometer e por isso digo ao “meio intelectual”: cansei! Cansei e acho que o mais justo seria que me deixassem em paz e que não venham até a minha casa com tochas e odor de enxofre, se me permitem a figura de linguagem. Estas pessoas a quem não nego insumos tem os corações ricos de sangue. E de sangue as suas quixotescas palavras são feitas e boas pessoas não deveriam acolher gente deste tipo em suas casas sem prévia autorização de um “sacerdote”. Rá! Será que já seria a hora de escovar os dentes dos cavalos e comer caviar de faca e colher? Claro que não! “Fodam-se!”

quinta-feira, abril 22, 2010

Eu

Sinto por vocês, mas não muito. Mesmo porque não sou triste. Não fico chorando por amores antigos. Amo alguém que me ama incondicionalmente e me faz muito feliz. Amo o jeito, o charme, o rosto. Eu me amo. Eu me completo e depois que me encontrei não consigo me imaginar longe de mim. Eu sou a pessoa mais linda e interessante deste mundo. Ficar comigo é ficar em paz. Não me poupo de carinhos e agrados. Canto Chico Buarque para mim, dou presentes, me levo ao cinema. Mas se você quer mesmo saber por que que eu fiquei comigo, eu digo que não sei. Se eu ainda tenho seu endereço ou me lembro de você, confesso que não perguntei. Sinto por vocês que hoje são tristes e espero que um dia possam encontrar uma pessoa como eu.

sexta-feira, abril 16, 2010

Feito

Esperamos ansiosos pela
Palavra do poeta
"Concordo plenamente
Com o que ainda não disse"
Parece que agora sim
Parece que disse
O que havia de ser dito
O que era para se dizer
O que se diz e disse
Para ser feliz
E acordar
E rir do e para o mundo
Agora vai
E eu vou
Ficar indo para voltar
Um dia ou dois
Parece que é só
E nunca é demais
Tudo bem se eu continuar...
Como é triste a conclusão

segunda-feira, abril 05, 2010

Mundo Mágico da Imaginação

E de repente percebi uma estranheza, senti uma estranheza no mundo. Algo estava mais errado do que de costume. Era como um sonho. Olhei para o lado e o dono do bar dizia, "você precisa ver os preços no super mercado. Homem de verdade não quer dizer que não sabe economizar. Na verdade economizar é másculo." Bebi um gole de cerveja, ela desceu absurdamente gelada, estava deliciosa. Eu disse: "Esta cerveja está deliciosa, não está?". "É sim. Mas a minha está muito quente!" Sem entender perguntei: "Sério? A minha está bem geladinhoza!" Ele: "Sério, tá quente demais, eu nunca vi uma cerveja tão quente na minha vida.". Olhei para a cerveja e ela começou a evaporar. Ouvi um riso desesperado. Era o dono do bar. Ele estava batendo nas minhas costas e dizendo: "Você é um cara legal. A cerveja tem que ser gelada pra caralho para ficar bom mesmo."

O dono do bar usava um sombreiro. E a estranhaza apareceu. Percebi de vez. Aquilo era um mundo estranho, maluco. Perguntei para o dono do bar: "O que este mundo tem? Ele é maluco!". Ele respondeu: "Sim, é um mundo muito maluco, tudo começou com a invasão. Você deve lembrar, era tempo de plantar couve! O rei mandou prender todo mundo e ninguém nunca mais foi o mesmo. E o mesmo nunca mais foi outro, nem o outro foi alguém." Eu: "Mas por que este mundo é estranho e maluco?" Ele: "O mundo é louco porque o rei mandou prender todos os magos e então os loucos ficaram malucos e se rebelaram por causa da indiferença real. "

Acordei suado! Olhei para o lado e havia um coelho gigante. Entendi que estava sonhando e que talvez nunca mais acordaria. Fiquei com muito medo. O quarto era escuro e o coelho mexia o bigode. Ele foi chegando perto de mim. Começou a me cheirar. Eu estava com muito medo. Me deu uma mordida arrancando fora o meu braço. Segurei a dor e não gritei. Chovia muito e não sabia para onde ir. Tentei abrir a porta. A chave não funcionava. Era impossível. Em agonia tentava acordar, acordar, acordar. Gritei: "Magooooo!!!!" Apareceu um mago com uma longa barba branca, seu rosto era muito parecido com o do dono do bar, mas eu nem reparei. O Mago bateu muito no coelho. Jogou o coelho em um prédio, depois arrancou a cabeça dele fora.

"Mago, este mundo é estranho! Eu quero voltar para casa!" O mago riu sem remorso! "Este mundo é louco e estranho, mas você sempre viveu nele e ele é o único mundo que existe." Eu: "Você jura? Me ajuda a ser feliz!" "Ninguém pode te ajudar, você é muito esperto e inteligente." "Eu sei. Eu consigo sentir agora!" Então voei para dentro do vulcão onde eu costumava brincar quando era criança. Meus amigos estavam lá. Um me deu uma cerveja e voltou a dançar. Fiquei bastante alegre e pensei: "Este mundo ainda está estranho. O velho mago me enganou!" Os passarinhos cantavam Macarena e todo mundo dançava feliz. Tinha um casal de amigos meus que estavam muito bêbados. Eu beijei a garota. O cara disse: "Cara, você pode voar! Eu vi com os meus olhos que a terra um dia há de comer." "Sim, você viu! Mas não conte para ninguém, a Interpol pode querer me matar!"

Esqueci o estranhamento e voltei para a vida anormal e maluca, estranha. Não tente entender ao pé da letra. Pois você pode acabar com danos no cérebro nervoso da cabeça ligado ao celeste. Não há um bom final para este texto. Eu sinto muito. Tenho que muito que fazer, a conjuntura política atual me traz muitas preocupações. A vida é assim. Vocês sabem. Eu não preciso explicar, a coisa fala por si própria.

O Abismo

O abismo olha para o poeta
O escritor já abandonara o amor e o coração
E agora admira o abismo
Usa e abusa do abismo
O abismo
O abismo...
O mundo é um abismo
Entre o chão e o céu
A vida é um abismo
Entre o mar e o porrete
O homem é um abismo
Que escuta música ruim
A bicicleta é um abismo
O abismo é um olho verde e infinito
O abismo é algo
Que é fundo, mas tem fundo
É uma ponte
Que tenta correr para um incrível lugar nenhum
Mas sempre se esbarra
No escritor
Do abismo