Desventuras insólitas e sei lá...

quinta-feira, abril 29, 2010

Anastasia Sharapova

Foi no verão de 72 que a conheci. Ela era uma ex-atriz pornô canhota da antiga União Soviética. Tinha algo na sua forma de coçar as bochechas que me deixava louco. Talvez Anastasia Sharapova realmente tenha sido meu grande amor. Por um lado foi uma estória de amor, por outro foi também uma estória de perda e saudade.

Um dia eu estava na fila do sorvete e ela me perguntou as horas. "São duas para as três" respondi. Eu estava um pouco tenso e não consegui responder direito. Um dos meus porcos favoritos tinha morrido de uma doença rara e eu não conseguia tirar isso da minha cabeça. Aquele não era um dos meus melhores dias. Mais tarde a encontro novamente. A perguntei se era canhota. Ela respondeu que sim e me perguntou como eu tinha descoberto. Falei que tinha uma prima canhota e a sua forma de olhar para os lados me lembrava a dela. Ela riu. Eu a convidei para jantar.

A levei no boteco do seu Judair Juntório (eu não trabalhava mais lá naquela época). Pedi alguns ovos de conserva e duas buchadas. Conversamos por horas. Ela estava tão linda! Falamos sobre meus porcos. A sua tia gorda que tinha sido morta pisoteada por uma manda de elefantes em plena noite de natal. Perguntei se gostava de mim. E então fizemos amor por dias a fio até que o inevitável aconteceu.

Seu noivo que tinha acabado de chegar da Babilônia batia a porta. Ela atendeu e ao vê-lo ficou surpresa. Disse meio que gaguejando: "Meu bem, este é o Priori. Nós estamos a 3 dias tendo um tórrido caso de amor." A resposta foi enfática: "Tudo bem, mas acho que terei que te deixar." Ela soltou um grito de terror: "Não!!!" Ele bateu a porta, entrou em seu helicóptero e a certa altura saltou. Foi um suicídio horrível. Fiquei sete dias limpando os restos mortais do ex da mulher a qual estava apaixonado. Tive de usar diversos produtos, muitos ainda ilegais na época, mas felizmente no fim de uma semana tudo estava como antes. E ela sorria. Dizia que eu era um grande limpador. E que um dia nós teriamos um bela casinha com cerca branca no alto de uma cachoeira.

Uns dias depois Anastasia chegou estranha. Disse que precisariamos conversar, que não aguentava mais aquela situação, que tinha sonhos e que eu era um mesquinho. "Mas meu amor" tentei dizer em vão. "Nem mais um mas, nem um mais meio! Estou tendo um caso e é com seu melhor amigo!" Ela tinha falado sério. Ele era um grande amigo. Tinhamos servidos juntos no Vietnã. Eu inclusive salvara a vida do sujeito uma dúzia de vezes. E foi por el que, sem mais nem menos, ela voltou para o seu país.

Contudo cinco anos depois do nada apareceu novamente. Estava grávida e disse que o filho era meu. Olhei para ela e não aguentei. Tive de perdoá-la. Os cinco anos não foram suficientes para que eu a esquecesse. Tudo foi maravilhoso até a próxima tragédia. Deu até no jornal da época. Uma manada de girafas a pisoteou até a morte. A associação ao acidente de sua tia gorda era inevitável. Que triste destino. Fiquei deprimido por muito tempo. E limpar suas víscera do quintal era uma tarefa tão terrível quanto a limpar as vísceras de seu ex. E eu certamente teria me matado se não fosse pelo fato de que em meio a confusão um dos médicos que por sorte também era canhoto conseguira salvar Pedrinho, meu filho.

5 comentários:

Thais Correia disse...

as girafas aniquilaram um ÍCONE feminino esportivo, mundo cruel.

leitora disse...

só sei que a paixão é um trem muito doido , né não?

nunes de souza disse...

iuhauahiuahaihhaiuhaihaiauh..que viagem

Wanessa Herrero disse...

iauhaihiauhiahauhiauhiauh.que fim triste velho!

Mara Soares disse...

isso que eu chamo de delirio....kkkkk mas gostei das noites tórreas de amor...socorro!kkk