Desventuras insólitas e sei lá...

domingo, agosto 29, 2010

Dizem

Dizem por aí que dizem por aí algo. Eu não dou a mínima. Há muita gente criticando. Não que eu me importe demais. E também não estou aqui pra justificar. Tem muita gente dizendo muita coisa. Falando que o importante é agir, que o importante é isso ou aquilo. Muita gente tentando fazer arte. É redundante falar no excesso de barulho, frases e poluição em geral. Mas o bom é que não falta eu. Se faltasse eu, o mundo não seria um lugar tão bom. Sei que em muita gente eu falto. É de dar pena, apesar de não dar. Procurem a mim. Se tiverem sorte talvez isso funcione igual funcionou comigo.

Desespero Pela Manhã

Nada mais gostoso que
Aquele desespero pela manhã
Os passarinhos cantando na jabuticabeira
E um tédio que vem me consumindo,
Como se começasse na testa,
Se espalhasse lentamente,
Passando pelas costas e
Enchendo o peito!

E penso nos homens,
No quanto estão abaixo de mim e
No quanto são insuportáveis,
Nasce um sorriso bobo.
Um sarcasmo bailarino.

Abaixo a cabeça.
O coração é torcido,
Mas não cai uma lágrima.
O tempo me deixou seco.
Talvez seja a brisa matutina...
Oh, vontade de dormir um sono
Tranqüilo e eterno...
Como amar é bom!

E é de manhã que às vezes
Assim que do nada
Me vem dá uma
Vontadinha de morrer
Que quase me faz
Chorar...

domingo, agosto 08, 2010

O Homem Não Tem Escapatória!

O sujeito é o substantivo e o predicado é o verbo. O resto são adjetivos e estruturas de composição. Quem foi mal acostumado pela escola pode não entender o que digo. Contudo isto não é questão de gramática normativa mais do que problema filosófico. A gramática quer segurança, mas não há segurança nem no pensamento quanto no mundo. O devir versus a substância faz a língua. Língua que é ferramenta indispensável para o nosso pensamento sofisticado. O devir e a incerteza é o que manda, mas o nosso desejo é que sejamos sujeitos do nosso futuro. O desejo cria os conceitos e os substantivos. Substantivos são o ideal, mas o verbo é a realidade. E é deste combate do devir imperativo e do desejo de segurança que temos a tentativa de criar verbos que não sejam movimento e transformação e a tentativa de criar substantivos que descrevam ação. Enquanto isso a arvore amarrada na terra é verbo. Toda a explicação, toda a realidade é verbo. E o homem não tem escapatória!