Desventuras insólitas e sei lá...

quarta-feira, abril 27, 2011

Embora

Me expressar e
Um modo fácil de ir embora sem culpa....
E a certeza
Ou constante dúvida
De que nunca direi
Por mais que haja tanto
Ou nada a se dizer
Parece que passou mais um ano
E as novidades
São que que as velhas dores não vão embora
Parece redundante
E agora
Mesmo que eu continue a crescer
O resto cresce junto
E eu estou sempre na fila
Pro fim da minha vida
E escorro pelos dedos
Não me encontro
Nunca mais

sábado, abril 23, 2011

Fiquei Normal

Dia destes estava dando um rolé pela rua quando de repente fiquei normal. Olhei em volta e eu olhava com olhos de gente normal. Compreendi finalmente o que o ser humano padrão sente. Resolvi caminhar pelo shopping para ver se eu conseguia passar despercebido como um deles. Comprei um CD de música famosa e elogiei um desconhecido. Olhei para o teto e uma barata caminhava de ponta cabeça. Parecia sonho... Voltei para casa com uma desconfiança de que não mais seria o insano que costumo ser. Subi as escadas um pé após o outro chegando ao andar correto. Abri a porta com a chave específica e entrei apartamento a dentro. Pela janela o céu era azul, com nuvens brancas e aviões, sob certa perspectiva, muitos. Comparado com o século XXIII e XXII talvez poucos aviões há, apesar de não sobrarem muitas dúvidas, nos séculos antigos, passados a tempos, anos, dias antes do atual, havia poucos aviões, pouquíssimos aliás, poderíamos dizer até que não havia aviões de tão raras e mínimas suas quantidades. Normal estava eu. Os aviões a viajar e eu estacionado tão preso quanto um homem preso por ter sido apanhado pelo senhor cometendo delito penalizavel a prisão. Estava estagnado dentro do meu quarto e nem percebia que talvez estava eu preso dentro da minha cabeça. Lembrei-me, e razão eu tinha, que preso todos estamos e é possível continuar louco e ainda sim ser normal. Fui louco então. Voltei ao que era sem deixar de me ser. Pois só sendo a si é possível ser o que se deseja e não se pode ser. Mesmo pois poder é um luxo muito não muito fácil na atual conjuntura social e econômica.

terça-feira, abril 19, 2011

Rasgo

Quando o que você acha que é tudo deixar de ser
Quando o mundo desmorona
Não é porque você acabou de vencer
Ou que você tenha caido finalmente
Quando a rachadura vai da Rússia a Portugal
Você não tem nada a ver com isso
Há acontecimentos e acontecimentos
Sobre acontecimentos e muitos outros mais
De tantos e tão grandes
Que se pode dizer certamente: é muito
O fim do mundo não é um evento
O fim do mundo é um universo de eventos
Interações e conflitos que não cabem na literatura mundial
E não é com você
É o mundo que desaba
Não foi sua culpa ou seu mérito
As moléculas se unem e se arranjam
E às vezes elas ficam de mal e se afastam
Porque é assim e só por isso e nada mais
E era de se esperar que você nem estivesse lá
Mas se lá estiver
Um drama gigantesco e outros milhares
Coisas que não se merece
E tudo é indigno
E será somente um pedaço do rasgo do mundo
Da imensidão que nunca foi grande coisa para ninguém
Se comparada com o quanto é imensa
E você fechará os olhos
E tapará os ouvidos
E ouvirá coisa que nunca se ouviu
E verá o que não sabia que se poderia ver
Quando o planeta se espalha pela galáxia
E a vida derrete em não há mais
Não interessa
Não interessa

Quando Se Poderia Dizer

A arte de não dizer o que se deveria dizer. De se dizer o que é evidente e o que espera que se diga no momento quase certo ou absurdamente errado. De dizer o que poderia ser dito, mas nunca é dito. O que é sempre pensado, mas não poderia ser mapeado. Os principais caminhos do labirinto sem fim. Quando se diz que se poderia, então eu deveria, ou seja, quando estamos a ponto de triarmos o nosso próprio caminho algo parece impossível pois a realidade é clara, o que somos é frágeis, e caminhamos, sem sabermos de certo nada, pois se não se sabe tudo, mas se anda, se ama, se chora por motivos bobos e sofremos uma leveza sem fim que corrói a alma e faz os olhos desmoronarem. Quando as arvores balançam e eu respiro, o céu gira, as descrições são indiferentes, mas bastante sedutoras. E é como se, mas não sei, mesmo porque, não. A vida do homem médio, entre este infinito de maiores e menores, de dentro e fora, das camadas egoístas e egocêntricas que enxergam, mas não se vêm. O perigo de ser abstrato eu já senti. O risco de ser pior que os outros, ou igual aos que não deveríamos ser. O mundo, meus caros, o mundo é incerto. Descrever é um nobre erro, um esnobe triunfo da arte. Descrever é crer, criar redemoinhos malvados que devoram o eu. Acredite em mim quando digo, viajar é parar, mesmo que não, e tentar, arrumar coisas que coisas não são, sendo ou não coisas as outras coisas, mesmo que quando partam nos deixem saudade. Amar é lembrar que não deveríamos.