Desventuras insólitas e sei lá...

domingo, setembro 11, 2016

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Tenho me calado. Tenho perdido aos poucos o desejo de me expressar. Cansei de ofender e tenho perdido a esperança de ser bem compreendido.

Ainda mais nesta época de bipolaridade política. Sempre andei com os sonhadores e errantes, mas hoje eles me vêm como o conservador da direita. Em contrapartida sou chamado de esquerda por toda a direita. Me sinto isolado. Não isolado no centro. Não chamaria de centro isto.

Em vários sentidos tenho um coração anarquista, às vezes até socialista. Mas sou poeta demais... Às vezes me sinto um sínico. Outras vezes me parece que todos estão sendo muito arrogantes e prepotentes na confiança de suas opiniões.. Talvez eu esteja errado...

Como as pessoas conseguem levar tão a sério signo do Zodíaco? Como conversar seriamente com essas pessoas?

Eu não gostava da solidão, mas quando eu era aquele ateu isolado havia um certo conforto. Agora parece que tem gente demais. Todas falando ao mesmo tempo e nenhuma delas se parecem comigo. E ou não há muito a ser dito ou é necessário uma empolgação violenta para interromper e pedir a chance de falar. Mas se falar ninguém vai ouvir. Falar parece um erro.

Talvez seja um erro falar em voz alta, mas ainda possa ser divertido escrever. Por isso estou tentando agora, apesar da dificuldade. Não sei se é o trabalho... Queria ser um artista ateu programador ou um artista cientista... Mas parece não existir muitos assim. Ou se é cientista ou artista ou trabalhador.

Queria dizer mais. Mas desisto. É melhor ser vago assim e curto assim.

Sou chamado de louco desde pequeno. Sei que tenho um humor estranho, mas o efeito que queria causar nos outros nunca foi o de ser um louco. Eu me sinto ofendido. Não digo que eu não tenha culpa. Mas ser ofendido diariamente sendo chamado de louco garanto é bastante desconfortável.

Às vezes me olham como se minha maior característica fosse a de ser homem branco de classe média. Outras vezes simplesmente um louco. Como se todas as loucuras fossem iguais. Me confundem com outros "loucos" que simplesmente não pensam parecido comigo. A loucura não é algo tão específico e louco de verdade nunca fui. Tive meus dias ruins, que era visível no meu rosto a aflição. Mas nunca fui louco. Nunca tive alucinação, nunca conversei sozinho, nunca ouvi vozes. Minha loucura é me divertir e me amedrontar com problemas existenciais, me perguntar como podemos permitir a fome enquanto discutimos questões políticas menores, é dizer que talvez a morte é o fim, que um problema maior que a igreja é o não raciocinar logicamente. Louco pode ser esse meu jeito desorganizado de falar. Mas penso muito organizado e penso da mesma forma a muito tempo.

Tudo bem, pronto. Escrevi um pouco... Outro dia escrevo mais.